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Refugiado

Rob Janszen

Vluchteling

De wegen worden steeds voller
De mensen steeds holler
De luxe wordt steeds groter
De video's bloter
De media sneller
Het geweld wordt steeds feller
De mensen steeds banger
En de straffen steeds langer

En buiten de poort
Van dit aards paradijs
Wacht een rij vol met menselijk leed
Met mensen die moe zijn
Na een lange reis
Berooid en beroofd, uitgekleed

refr.:
Ik moet weg van hier
Het is mooi geweest
Ik ben een vluchteling
Van mijn eigen geest

Het volk decadenter
De geest steeds dementer
Grotere kloven tussen mensen die geloven
Politiek wordt steeds slapper
De wetenschap knapper
Barbaren, die winnen
Eigen wetten verzinnen

En buiten de poort
Van dit aards paradijs
Wacht een rij vol met menselijk leed
Ze sterven alleen
In een donkere nacht
Omdat niemand de poort open deed

Het maakt niet meer uit
Waar je voor staat
Hier heerst de taal van de straat
Zuip, vreet en steel
En laat je maar gaan
Je leven aan een dunne draad

Het geweten versleten
Derde Wereld vergeten
Het lichaam vol kanker
Ideaalbeeld: steeds slanker
De woorden steeds groffer
De ogen steeds doffer
Een wereld vol pillen
En niets meer te willen

Maar nog steeds wacht een rij
Voor dit aards paradijs
Een vluchteling staat buitenspel
Wees welkom hier
Bij de man met de zeis
Enkele reis naar de hel

refr.

Refugiado

As ruas estão cada vez mais cheias
As pessoas cada vez mais vazias
O luxo só aumenta
Os vídeos mais nus
A mídia mais rápida
A violência só cresce
As pessoas cada vez mais assustadas
E as penas cada vez mais longas

E do lado de fora do portão
Desse paraíso terreno
Uma fila cheia de sofrimento humano espera
Com pessoas cansadas
Após uma longa jornada
Despojadas e roubadas, despidas

refr.:
Eu preciso sair daqui
Já deu, tá bom
Eu sou um refugiado
Da minha própria mente

O povo mais decadente
A mente cada vez mais doente
Maiores abismos entre os que acreditam
A política cada vez mais fraca
A ciência mais esperta
Bárbaros, que vencem
Inventando suas próprias leis

E do lado de fora do portão
Desse paraíso terreno
Uma fila cheia de sofrimento humano espera
Eles morrem sozinhos
Em uma noite escura
Porque ninguém abriu o portão

Não importa mais
Pelo que você luta
Aqui reina a língua da rua
Bebe, come e rouba
E se deixa levar
Sua vida pendurada em um fio

A consciência desgastada
Terceiro mundo esquecido
O corpo cheio de câncer
Ideal: cada vez mais magro
As palavras cada vez mais grosseiras
Os olhos cada vez mais opacos
Um mundo cheio de pílulas
E nada mais a desejar

Mas ainda assim uma fila espera
Por esse paraíso terreno
Um refugiado está fora do jogo
Seja bem-vindo aqui
Com o homem da foice
Uma passagem só para o inferno

refr.

Composição: