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Canto Ao Pastoreio

Robson Paines

Letra

    Boleio a perna num verso
    Do verso faço uma prece
    A inspiração transparece
    Num cimbronaço de luz
    Que este negrinho traduz
    A devoção da minha raça
    Que vive pedindo graças
    Como a um segundo Jesus

    E como tantos pedi
    E também fui atendido
    Achei os sonhos perdidos
    De adelgaçados anseios
    E agora que sento arreios
    No lombo desses rosilhos
    É graças a ti que encilho
    Negrinho do pastoreio

    Escreves por linhas tortas
    De forma certa e parelha
    E segues batendo orelha
    Com tantos santos sangrudos
    Canonizados fachudos
    No pedestal das igrejas
    Mas tu tens campo e carqueja
    E o Rio Grande acima de tudo

    Te guardeou outro moreno
    Entre o tempo e a distância
    Também crioulo de estância
    Mesma alma em transparência
    Mesma cor na descendência
    E o mesmo gosto por potros
    Encarnados um no outro
    Pra sinuelar a querência

    Voz agradeço, parceiros
    Por esta graça alcançada
    Me deste céu e estradas
    E rumos a percorrer
    Pingos de lida e lazer
    Meus troféus de casco e crina
    O bem maior da campina
    Que um gaúcho pode ter

    Escreves por linhas tortas
    De forma certa e parelha
    E segues batendo orelha
    Com tantos santos sangrudos
    Canonizados fachudos
    No pedestal das igrejas
    Mas tu tens campo e carqueja
    E o Rio Grande acima de tudo

    Composição: Eliezer Dias / João Bosco Ayala. Essa informação está errada? Nos avise.

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