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São Borja Em Verso e Memória

Rodrigo Bauer

Letra

    Em Mil, Seiscentos e Oitenta e Dois nascemos
    Permitam-me o tempo de uma regressão!
    As várias gerações ás quais nós sucedemos
    Esperam nosso olhar com sua antevisão!

    Vem, sobre as águas do Uruguai, o olhar do padre
    Prece os século, combates e invasões
    Sobe o barranco a gênese desta cidade
    Nasce a Primeira entre as Sete Reduções!

    Chegaram dois Fanciscos, padres companheiros
    Unidos pela fé no Cristo Salvador
    São Francisco de Borja, o Grande Padroeiro
    Francisco Garcia de Prada, o Fundador!

    Um deles veio espírito santificado
    Trazendo a proteção no seu abonamento
    O outro veio vivo e determinado
    A erguer os alicerces que nos dão sustento!

    Domou-se o índio, antes rude e caborteiro
    Mas a coragem até hoje é imortal
    O sino grande a ressoar no pampa inteiro
    E, na coxilha, ergueu-se a Cruz Patriarcal!

    A companhia de Jesus povoou o nada
    Fundou a estancia e deu ao índio um ideal
    Com a força agreste do nativo abriu estradas
    E ergueu a torre da primeira Catedral!

    Houve o tratado de Madrid, com ele a guerra
    Sua existência abriu porteiras para o mal!
    Bastou saber sobre a riqueza dessa terra
    Para a cobiça vir de Espanha e Portugal

    Foi-se o jesuíta da fronteira desparelha
    Ficaram pedras, atropelos e incertezas
    O sangue herói deixo a terra mais vermelha
    Sem entender se é castelhana ou portuguesa

    Borges do canto lhe conquista com a espada
    E é lusitana até tornar-se brasileira
    Com Chagas Santos volta a ser organizada
    Ela e as outras seis reduções missioneiras!

    Três invasões de maior vulto ela sofreu
    A de Andresito, a de Rivera e o Paraguai
    Mas em nenhuma nossa gente esmoreceu
    Curando a alma nas águas do Uruguai

    A nossa data magna não tardaria
    O tempo edificava a velha redução
    Com João Palmeiro em vila se transformaria
    No vinte e um de maio da elevação!

    Vem o episodio da moção Plebicitária
    Com Apparício Mariense, um cidadão
    Que, pela a ideia vanguardista e libertaria
    Pede a república, prece a abolição!

    A velha cepa de homens fortes volta á carga
    A nobre história ao grande berço se fundiu
    E o mundo escuta o verbo de Getúlio Vargas
    Que é o maior dos presidentes do Brasil!

    São Borja empresta outro filho a presidência
    É João Goulart, o estancieiro trabalhista
    Homem de arreio, com o campo em sua essência
    Alma gigante e humanitária de estadista!

    Tropas que cruzam invernadas, corredores
    O trigo eu linho colorindo esse rincão
    Arroz e soja e o barulho dos tratores
    Nos transformando em capital da produção!

    Com vargas Netto a poesia se enraíza
    Brilha o poeta, deputado e jornalista
    Seu verso xucro o impressiona e o eterniza
    Príncipe dos poetas tradicionalistas!

    Em Apparício Silva Rillo a efervescência
    Dessa poesia se agiganta ainda mais
    Há um poeta universal pela querencia
    Trilhando o mundo com seus passos regionais

    José Hilário Retamozo é mais um astro
    Em nosso lábaro gigante que se expande
    Prova latente que São Borja, com seu rastro
    Alarga os rumos da poesia do Rio Grande!

    Hoje nos toca ser história e personagens!
    O tempo é um velho que não cansa de andejar
    Vai transmutando rostos, alamas e paisagens
    Nos carreteando sempre no mesmo lugar!

    Toda esta saga é nosso fogo e no forja
    Semente, rio, espada, cruz, berros de bois
    Somos a essência resultante de São Borja
    Que vem de Mil, Seiscentos e Oitenta e Dois


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