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Entre a cidade do sim e a cidade do não

Rolando Alárcon

Entre la ciudad del sí y la ciudad del no

Soy un rápido tren que hace años va y viene
entre la ciudad del sí y la ciudad del no.
Mis nervios están tensos como cables
entre la ciudad del no y la ciudad del sí.

Todo está muerto y asustado en la ciudad del no
como un despacho empapelado con tristeza,
fruncen el ceño en él todas las cosas.
Hay recelo en los ojos de todos sus retratos.

Cada mañana enceran con bilis su parque,
son sus sofás de falsedad, sus paredes de desgracias.
Jamás un buen consejo te darán
ni un ramo de flores, ni un simple saludar.

Las máquinas de escribir teclean con copia la respuesta:
¡No-no-no-no, no-no -no-no!

Y cuando al fin se apagan todas sus luces
y los fantasmas inician su lúgubre ballet.
Jamás -ni aunque revientes- boleto lograrás
para escapar de la negra ciudad del no.

La vida, en cambio, en la ciudad del sí es un canto de mirlo.
Carece de paredes la ciudad, es como un nido.
Las estrellas te piden acogerse en tus brazos
y sin avergonzarse, los labios solicitan tus labios.

La rosa, incitante, solicita ser cortada,
y ofrecen los rebaños la leche en sus mugidos,
y en nadie hay un asomo de recelo
y adonde quieras ir te llevarán trenes, barcos y aviones.

Y con un rumor de años va el agua murmurando:
¡Sí-sí-sí-sí, sí-sí-sí-sí!

Sólo que a veces en verdad es aburrido
que todo se me dé, apenas sin esfuerzo,
en esta ciudad multicolor y deslumbrante.
Mejor ir y venir hasta el fin de mi vida

entre la ciudad del sí y la ciudad del no.
Mejor tener los nervios tensos como cables
entre la ciudad del no y la ciudad del sí,
entre la ciudad del sí y la ciudad del no.

Entre a cidade do sim e a cidade do não

Sou um trem rápido que há anos vai e vem
entre a cidade do sim e a cidade do não.
Meus nervos estão tensos como cabos
entre a cidade do não e a cidade do sim.

Tudo está morto e assustado na cidade do não
como um escritório empapelado de tristeza,
fruncem a testa nele todas as coisas.
Há desconfiança nos olhos de todos os seus retratos.

Cada manhã eles enceram com bile seu parque,
são seus sofás de falsidade, suas paredes de desgraças.
Nunca um bom conselho te darão
nem um buquê de flores, nem um simples cumprimento.

As máquinas de escrever digitam a resposta:
Não-não-não-não, não-não-não-não!

E quando finalmente se apagam todas as suas luzes
e os fantasmas iniciam seu lúgubre balé.
Nunca -nem que você exploda- conseguirá um ingresso
para escapar da negra cidade do não.

A vida, por outro lado, na cidade do sim é um canto de melro.
Não tem paredes a cidade, é como um ninho.
As estrelas pedem para se acolher em seus braços
e sem vergonha, os lábios pedem seus lábios.

A rosa, provocante, pede para ser cortada,
e os rebanhos oferecem o leite em seus mugidos,
e em ninguém há um sinal de desconfiança
e aonde você quiser ir te levarão trens, barcos e aviões.

E com um murmúrio de anos vai a água sussurrando:
Sim-sim-sim-sim, sim-sim-sim-sim!

Só que às vezes é verdadeiramente chato
que tudo me venha, quase sem esforço,
nesta cidade multicolorida e deslumbrante.
Melhor ir e vir até o fim da minha vida

entre a cidade do sim e a cidade do não.
Melhor ter os nervos tensos como cabos
entre a cidade do não e a cidade do sim,
entre a cidade do sim e a cidade do não.

Composição: Rolando Alarcon / Yevgeni Yevtushenko