Minha História

Rony Guedes

Ô, meu Deus do céu
Saudades do meu passado
Lembranças do que se foi

Êh!

Vou contar a minha vida um pouco da minha família e dizer onde nasci
Sou de uma família pobre mas meu coração é nobre, isso é que me faz feliz

Nasci numa casa de palha, parede cheia de falha, lá no meio do sertão
Fui criado trabalhando com os meus irmãos lutando, todo dia pelo pão

Lá na frente da cozinha, o poleiro das galinhas, era um pé de caju
Tinha um pé de jangada e alguns pés de goiaba, lá cantava o cururu
E ali de manhã cedo todos tinham um emprego para subir um serrão
Uns levavam as cabaças outros traziam do lado, o cutelo e o facão

Lá dentro da capoeira, meu cachorro na carreira, ele pegava o tatu
Mas no mato com machado as mulheres trabalhavam, lá no coco babaçu

Naqueles pés de mangueiras, lá na palha da palmeira, lá cantava o curió
Lá no meio da palhada, o meu pai com uma espingarda e o seu velho mocó
A curica na gaiola, lembro da minha viola, lá no galho o bem-te-vi
O sabiá satisfeito lá na cerca o anu preto, no paiol o juriti

Lá no pé da rebanceira tinha um pé de figueira também um grande pilão
A mamãe ali suava suas mãos cheias de calos para preparar o pão
Lá na frente do barraco tinha um grande buraco, também um grande baixão
Mas na frente da cozinha mãe criava a galinha, o capote e o leitão

A mamãe sofria tanto às vezes descia o pranto ali tanto de lutar
Mas dava conta da casa parecia que ter asas depois ia se deitar
A mamãe de madrugada com coragem levantava, preparava o café
Era um cuscuz de milho para alimentar os filhos e chamava o seu José

O meu pai ali sofria mas sempre tinha alegria dentro do seu coração
Ele plantava a mandioca e fazia tapioca pra criar os meus irmãos
Lá no meio do deserto todo ano era certo, meu pai fazia um roção
Que se plantava a mandioca, era grande aquela roça, de arroz e de feijão

E naquela correria o meu pai saiu um dia deixando aquele sertão
E levou sua família para uma cidade vizinha, do ranchinho beira chão
Ainda sinto saudade, foi na minha mocidade que eu tanto lá brinquei
Mas tá tudo acabado, só se resta o passado do ranchinho que morei

Mas com o tempo passado o meu velho pai cansado, a mamãe ali também
A cabeça bem branquinha vive ao lado das netinhas e dos filhos que lá tem
O que me resta é lembrança do meu tempo de criança e do tempo que se foi
Toda vez que lá eu passo, eu me lembro dos abraços que ali dei neles dois

Meu pai se chama Raimundo, é um prazer tão profundo que eu sinto em cantar
A mamãe é Terezinha, essa é minha família que sofreu pra me criar
Vou terminando os meus versos, essa não é minha pressa, mas não consigo citar
O nome dos meus irmãos, fica no meu coração que senão eu vou chorar


Comentários

Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

0 / 500

Faça parte  dessa comunidade 

Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Rony Guedes e vá além da letra da música.

Conheça o Letras Academy

Enviar para a central de dúvidas?

Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

Fixe este conteúdo com a aula:

0 / 500

Opções de seleção