A Mi Cama
Tiendo y destiendo mi cama
sacudo pedazos de sueños en llamas
sombras delatoras de amor
ocultan su cara
Cae una sábana blanca
como la nevada
cae en la montaña
y caigo en la cuenta
de tus manos blandas
Torre de Babel cuadrada
como Penélope teje angustiada
y desteje mi desnudez
acobardada
Mi cama sabe
todo lo que soy y puedo ser
y no me dejan
mi cama sangra
cada tajo que me espantan
y por la noche
me acuna y canta
Abro una puerta de gasas
le entrego mi cuerpo
ella me abraza
y guardo los puños hasta mañana
bajo la almohada
Es mi madre necesaria
remedo de tumba
perra guardiana
mientras susurra su nana
afila las zarpas
Tiendo y destiendo mi cama
aparto la mies de la cizaña
y por un camino de nada
regreso a casa
Minha Cama
Estendo e desdobro minha cama
sacudo pedaços de sonhos em chamas
sombras delatoras de amor
escondem seu rosto
Cai um lençol branco
como a neve
cai na montanha
e percebo
das suas mãos macias
Torre de Babel quadrada
como Penélope tece angustiada
e desfaz minha nudez
amedrontada
Minha cama sabe
tudo que sou e posso ser
e não me deixam
minha cama sangra
cada corte que me assusta
e à noite
me embala e canta
Abro uma porta de gaze
entrego meu corpo a ela
e ela me abraça
e guardo os punhos até amanhã
debaixo do travesseiro
É minha mãe necessária
remendo de tumba
cadela guardiã
enquanto sussurra sua canção
afiando as garras
Estendo e desdobro minha cama
separo o trigo da joio
e por um caminho de nada
volto pra casa
Composição: Roque Narvaja