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Carta para Rosaura (Milonga)

Ruben Alberto Benegas

Carta a Rosaura (Milonga)

Rosaura, ha de extrañarte
Recibir noticias mías
La verdá es que no debía
Ni siquiera recordarte
Si te escribo es pa' enterarte
Que desde que te has marchao
Todo el mal que me has causao
De a poco se fue perdiendo
Al tiempo que ha ido creciendo
El gurí que me has dejao

Es bueno pa' tu vergüenza
Y en tu vergüenza se mete
Que te enterés en qué brete
Has metido a mi conciencia
Una carta, la impaciencia
De dir a pedirte cuentas
La otra carta, la inocencia
Del hijo que exige amparo
Las cartas se barajaron
Y al final tuve clemencia

Con el hijo entre los brazos
Y un dolor fiero en el pecho
Yo vi mi rancho deshecho
Y mi sueño hecho pedazos
Pero Dios en el fracaso
Quiso quedarse a mi lao
Prendió fuego a aquel pasao
Y tiró sobre sus llamas
Aquella palabra Mama
Que el gurí ya había olvidao

Ya ves, cinco años han pasao
De hecho, que temo nombrar
Porque no quiero ensuciar
La carta que te he mandao
Nada de vos ha quedao
Ni huellas de tu veneno
Solo un algo al que no temo
Porque no hiere mi orgullo
Él tiene los ojos tuyos
Igualitos, pero buenos

Carta para Rosaura (Milonga)

Rosaura, você vai sentir minha falta
Receber notícias minhas
A verdade é que não devia
Nem mesmo lembrar de você
Se estou escrevendo é pra te contar
Que desde que você se foi
Todo o mal que você me causou
Foi aos poucos se perdendo
Enquanto foi crescendo
O menino que você me deixou

É bom pra sua vergonha
E na sua vergonha se mete
Pra você saber em que enrascada
Colocou minha consciência
Uma carta, a impaciência
De vir te pedir explicações
A outra carta, a inocência
Do filho que pede proteção
As cartas foram embaralhadas
E no final eu tive clemência

Com o filho nos braços
E uma dor feroz no peito
Eu vi meu rancho destruído
E meu sonho em pedaços
Mas Deus no fracasso
Quis ficar ao meu lado
Incendiou aquele passado
E jogou sobre suas chamas
Aquela palavra Mamãe
Que o menino já tinha esquecido

Veja, já se passaram cinco anos
Na verdade, que eu temo nomear
Porque não quero sujar
A carta que te mandei
Nada de você ficou
Nem vestígios do seu veneno
Só um algo que não temo
Porque não fere meu orgulho
Ele tem seus olhos
Idênticos, mas bons