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Estacion de Vias Muertas (Milonga)

Ruben Alberto Benegas

Letra

Estação de Vias Mortas (Milonga)

Estacion de Vias Muertas (Milonga)

Estação velha e destruídaEstación vieja y deshecha
Que foi só alegriaQue fuiste todo alegría
Quando era uma romariaCuando era una romería
Nos tempos de colheitaEn los tiempos de cosecha
Hoje parece que te pesaHoy parece que te pecha

O cavalo do esquecimentoEl mancarrón del olvido
Quem sabe pra onde foramQuién sabe dónde se han ido
Os carregadores e capatazesBolseros y capataces
Homens fortes e capazesHombres fuertes y capaces
Que pra sempre se perderamQue pa' siempre se han perdido

Já não se vê nem um vagabundoYa no se ve ni un linyera
Lado do embarcadouroAl lao' del embarcadero
Nem uma estiva com placaNi una estiva con letrero
De uma firma cerealistaDe una firma cerealera
Já pela tua enorme porteiraYa por tu enorme tranquera

Não entra nenhuma carroçaNo dentra ninguna chata
O carroceiro não soltaEl carrero no desata
Sua famosa cavalhadaSu famosa caballada
Nem descarrega na planchadaNi descarga en la planchada
As sacolas pela traseiraLas bolsas por la culata

Já não há moças bonitasYa no hay muchachas bonitas
Passeando pelo tremPaseando por el andén
Que iam esperar o tremQue iban a esperar el tren
Nas lindas tardezinhasEn las lindas tardecitas
Contra teus trilhos limpinhosContra tus vías limpitas

Não brilha o Sol radianteNo se estrella el Sol radiante
E nessa calma constanteY en esa quietud constante
Das ruínas que ali ficamDe las ruinas que allí quedan
Já nem se move a rodaYa ni se mueve la rueda
Do teu moinho giganteDe tu molino gigante

O cambista não caminhaEl cambista no camina
Com a blusa azul daquelaCon la blusa azul aquella
Nem a máquina resfolegaNi la máquina resuella
Com seu hálito de neblinaCon su aliento de neblina
Já não estão no escritórioYa no están en la oficina

Nem o chefe, nem o auxiliarNi el jefe, ni el auxiliar
E não se ouve tocarY no se oye repicar
O telégrafo também nãoEl telégrafo tampoco
E os pardais aos poucosY los gorriones de a poco
Acabaram por dominarHan terminao' por copar

Teu sinal está tranquiloTu señal está tranquila
Teus galpões carcomidosTus galpones carcomidos
E nesses trilhos adormecidosY en esos rieles dormidos
Já não há vagões em filaYa no hay vagones en fila
Já não se vê nem uma pilhaYa no se ve ni una pila

Sobre tua praia desertaSobre tu playa desierta
Teu sino não despertaTu campana no despierta
E é um badalo esquecidoY es un badajo olvidado
Uma lágrima oxidadaUn lagrimón oxidado
Chorando uma via mortaLlorando una vía muerta


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