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A Rioplatense (Milonga)

Ruben Alberto Benegas

La Rioplatense (Milonga)

Si se apagan mis canciones
Bajo el techo de algún rancho
Búsquenme en campo ancho
Que hallarán mis relaciones
Repunten los cañadones

Anden el camino real
Y si algún sureño leal
Le pregunta por mi estampa
Digan que estoy en la Pampa
Dando vida al pastizal

Soy del Río de la Plata
Y esa es mi mayor hazaña
De la costa a la montaña
Un tigre se me desata
Es el canto que mi Tata

Me enseñó por sus consejos
De ser un gaucho parejo
Manteniendo mi decencia
Para tener la conciencia
Relumbrosa como espejo

Hay cantores conocidos
Que se venden por monedas
Lo triste es que para afuera
Se la dan de resentidos
Creen saber más del nido

Que el pajarito campero
Y como son ventajeros
Bastante largos de manos
Con el llanto'e sus hermanos
Se van rellenando el cuero

Cantar la fama paisana
Cualquiera sea su linaje
Al derroche del coraje
Y a las virtudes humanas
Cualquier lugar es la rama

Donde anidan las canciones
Y no existen ventarrones
Que puedan cerrarle el pico
Al que aprendió desde chico
A cantar en los fogones

Le canto a la Patria toda
Que es legado de mayores
No hago distingo en colores
Por si alguno se incomoda
No soy un cantor de moda

Los hay mejores que yo
Pero si alguno escuchó
Los cantos de nuestra tierra
Verán que en muy poco yerra
Lo que este gaucho cantó

A Rioplatense (Milonga)

Se minhas canções se apagarem
Sob o teto de algum rancho
Me procurem em campo aberto
Que encontrarão minhas relações
Rebatam os canyons

Andem pelo caminho real
E se algum sulista leal
Perguntar pela minha figura
Diga que estou na Pampa
Dando vida ao pasto

Sou do Rio da Prata
E essa é minha maior façanha
Da costa à montanha
Um tigre se solta em mim
É o canto que meu Tata

Me ensinou com seus conselhos
De ser um gaúcho correto
Mantendo minha decência
Pra ter a consciência
Brilhante como um espelho

Há cantores conhecidos
Que se vendem por moedas
O triste é que para fora
Se fazem de ressentidos
Acreditam saber mais do ninho

Que o passarinho do campo
E como são espertalhões
Com as mãos sempre longas
Com o choro de seus irmãos
Vão enchendo o couro

Cantar a fama do campo
Qualquer que seja sua linhagem
Ao desperdício da coragem
E às virtudes humanas
Qualquer lugar é o galho

Onde aninham as canções
E não existem ventanias
Que possam fechar o bico
De quem aprendeu desde pequeno
A cantar nas fogueiras

Canto a Pátria toda
Que é legado dos mais velhos
Não faço distinção de cores
Caso alguém se incomode
Não sou um cantor da moda

Há quem cante melhor que eu
Mas se alguém ouviu
Os cantos da nossa terra
Verá que erra muito pouco
O que este gaúcho cantou

Composição: Eduardo Andrade