Milonga Para Don Pedro (Milonga)
Pión golondrina, gaucho curtido
De changa en changa lo he conocido
Y al desamparo de aquellas chacras
Cobijas sucias, colchón de chala
La sacadora iba abriendo melgas
Dejando papas a flor de tierra
Y ese paisano que junta y junta
Con otro criollo tirando en yunta
En el resuello del mediodía
Se lava el cuerpo con agua fría
Y cuando apenas hubo comido
El maquinista pegó el chiflido
De tardecita, brazada ‘e chala
Tapó montones por si la helada
Y sin embargo consuelo ‘e pobre
A él no hay chacota que no le sobre
Cuando la noche ya está viniendo
Se van los pobres pa'l’ campamento
Y entre truquiada, cuentos y mates
Vino quebracho, guiso picante
Y cuando todo estaba en silencio
Tocó milongas pa’ entrar en sueño
Milonga Para Don Pedro (Milonga)
Pião andorinha, gaúcho vivido
De troca em troca eu o conheci
E no desamparo daquelas terras
Cobertores sujos, colchão de palha
A enxada ia abrindo as fileiras
Deixando batatas à flor da terra
E aquele caboclo que junta e junta
Com outro crioulo puxando em dupla
No calor do meio-dia
Ele se lava com água fria
E quando mal tinha comido
O maquinista deu o apito
No final da tarde, um monte de palha
Cobriu os montes pra se proteger do frio
E mesmo assim, consolo de pobre
Pra ele não tem piada que não caiba
Quando a noite já está chegando
Os pobres vão pro acampamento
E entre risadas, contos e chimarrão
Veio quebracho, guisado apimentado
E quando tudo estava em silêncio
Tocou milongas pra entrar no sono