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Corte a Corte (Milonga)

Ruben Alberto Benegas

Tajo a Tajo (Milonga)

Ya no suenan las bordonas
De mi guitarra como antes
Y no cantan arrogantes
Se me han vuelto rezongonas
Perezosas y sobonas
No obedecen a mi mando
Y al querer, de vez en cuando
Hacerlas sonar altivas
Vibran tristes, emotivas
Como almas que están penando

De mi rancho los horcones
De aburridos se han ladeao
Y al techo lo han deslomao
Pechando los ventarrones
Del tiempo los samarreones
Lo han rajao en las esquinas
Y al cercao de sina-sina
Con que rodeaba la casa
Cualquiera bicho lo pasa
Porque ya ni tiene espinas

Todo el campo se ha rendido
Al rigor del abrojal
Y al criollo viscacheral
En harnero ha convertido
La hacienda, claro, se ha ido
Huyendo de esos rigores
Ya los pájaros cantores
No se arriman a los talas
Y aura nacen luces malas
Donde antes nacieran flores

Lo que era campo florido
Y trebolar perfumao
Lo que era lindo recao
Del paisano presumido
El rancho que era mi nido
Donde viví mis amores
Todo ha cáido a los rigores
Del tiempo que, ¡tajo a tajo!
Me va arriando cuesta abajo
Para amargar mis dolores

Corte a Corte (Milonga)

Já não soam as bordonas
Da minha guitarra como antes
E não cantam arrogantes
Se tornaram resmungonas
Preguiçosas e enrolonas
Não obedecem ao meu comando
E ao querer, de vez em quando
Fazer elas soar altivas
Vibram tristes, emotivas
Como almas que estão penando

Do meu rancho os horcones
De tédio se inclinaram
E o teto foi desmoronado
Sofrendo os ventos fortes
Do tempo os estragos
Rasgaram nas esquinas
E ao cercado de sina-sina
Com que cercava a casa
Qualquer bicho passa
Porque já nem tem espinhos

Todo o campo se rendeu
Ao rigor do abrojal
E ao criollo viscacheral
Em harneiro se transformou
A fazenda, claro, se foi
Fugindo desses rigores
Já os pássaros cantores
Não se aproximam dos talas
E agora nascem luzes más
Onde antes nasciam flores

O que era campo florido
E trevo perfumado
O que era lindo recado
Do paisano convencido
O rancho que era meu ninho
Onde vivi meus amores
Tudo caiu aos rigores
Do tempo que, corte a corte!
Me vai arrastando ladeira abaixo
Para amargar minhas dores

Composição: