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Ninguém

Ruben Goldin

Nadie

Yo vivo sin lugar ni representación
Sin aire para mí, no salgo a reclamar
Ni a levantar la voz, con nada que decir
Yo no acostumbro a maldecir ni esparcir la hiel
Yo te escuché mentir, leí tu editorial
Las trampas de tu ley

Yo limpio en el tapiz la pulcra suciedad
Debajo de tus pies
Soy el que baja al surco el Sol
Te da de comer
No tengo filiación ni dirección legal
Nada que no me den

Soy una negación, un hijo de tu mal
Un sueño de mi bien
Yo soy la malograda luz de tu estupidez
Yo vivo por detrás de todo lo que hiere
Allí a tu alrededor
Anciano sin su pan, un niño de la sed
Un paria del amor

En fin, la posibilidad de la rebelión
Sabré sobrevivir porque no puedo odiar
Tu vida pero en vez no dejo de medir
Tu labio más falaz, tu ojo que no me ve
No te confíes depredador
Quién se come a quién

Ya que por hache o be
Tu golpe del final
Fue siempre para mí
No falles esta vez
Pues no tendré piedad
Las cosas son así

Ninguém

Eu vivo sem lugar nem representação
Sem ar pra mim, não saio pra reclamar
Nem pra levantar a voz, sem nada a dizer
Eu não costumo amaldiçoar nem espalhar o veneno
Eu te ouvi mentir, li sua editorial
As armadilhas da sua lei

Eu limpo no tapete a sujeira limpa
Debaixo dos seus pés
Sou quem traz o Sol pro sulco
Te dá de comer
Não tenho filiação nem endereço legal
Nada que não me deem

Sou uma negação, um filho do seu mal
Um sonho do meu bem
Eu sou a luz malfadada da sua estupidez
Eu vivo por trás de tudo que fere
Ali ao seu redor
Velho sem seu pão, uma criança da sede
Um pária do amor

Enfim, a possibilidade da rebelião
Vou saber sobreviver porque não consigo odiar
Sua vida, mas em vez disso não paro de medir
Seu lábio mais falso, seu olho que não me vê
Não se confie, predador
Quem come quem

Já que por hache ou be
Seu golpe final
Foi sempre pra mim
Não erre dessa vez
Pois não terei piedade
As coisas são assim

Composição: Jorge Fandermole