
Blumana
Rubén Rada
Ironia e resistência em “Blumana” de Ruben Rada
Em “Blumana”, Ruben Rada utiliza a expressão “la mala” para se referir à polícia, em vez do termo mais direto “la cana”. Essa escolha não é casual: foi uma forma de contornar a censura e a repressão policial durante a ditadura militar argentina, período em que a música foi lançada. Ao cantar “Tengo mucho miedo / Que venga la mala” (“Tenho muito medo / Que venha a polícia”), Rada expressa o medo real dos músicos e do público diante da constante presença policial nos shows de rock. No entanto, ele faz isso com leveza e humor, tornando a crítica mais acessível e até divertida para quem ouve.
O refrão “Toca che negro Rada / Toca grita la hinchada / Toca y canta tranquilo / Que acá no pasa nada” (“Toca aí, negro Rada / Toca, grita a torcida / Toca e canta tranquilo / Aqui não acontece nada”) reforça o clima de resistência coletiva e descontração. O público, chamado de “hinchada”, funciona como uma torcida que incentiva o artista a continuar, mesmo sob tensão, criando um momento de união e alívio. A letra também traz situações cotidianas, como perder a namorada na entrada do show, aproximando a canção da experiência real dos frequentadores de concertos. No final, o verso “Yo me subo al micro / Y abrazo la mala” (“Eu subo no ônibus / E abraço a polícia”) pode ser interpretado tanto como uma aceitação resignada da vigilância policial quanto como uma piada sobre a inevitabilidade desse controle, mantendo o tom irônico e bem-humorado que marca toda a música.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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