O Curupira
Runes & Rhymes
Quando ainda era criança
Corria igual qualquer um
Ouvia cantos da mata e vizinhança
Sob a luz fraca da Lua e do solum
Era um jovem curioso e desbravador
Sempre se mostrava um bom caçador
Dizia pra sua prima que um dia seria
O chefe da aldeia e a defenderia
Eram juntos uma dupla formidável
Com sua lança parecia implacável
Mas vieram homens com pólvora e carvão
Arrancando os rios e enterrando os seus irmãos
Durante uma noite de caçada
Ouviu sons altos ao voltar para sua casa
Correu como nunca antes tinha corrido
E se deparou com uma cena horrível
Tanto corpos de pessoas que amava
Se escondendo em meio a eles pela mata
Só sua prima em seus braços que foi salva
E até ela aparentava estar morta
Corra forte jovem carregando quem restou
Mas cercaram seu caminho e a floresta então chorou
Apontaram arcabuzes e riram dos dois
Venham ver isso e agradeçam depois
Um tolo selvagem tentando fugir
Olha só, uma fêmea, eu quero pra mim!
Recebendo golpes com a visão turva
Sua morte era certa e sua vida era curta
Conta a lenda que Tupã
Escutou esse seu clamor
E torceu seus pés, pra se lembrar bem dessa dor
Pra que nunca mais seguisse o caminho dos humanos
E deixasse falsas trilhas pros invasores insanos
Seus cabelos ascenderam como Sol (ka'aguy rupi oguata)
E as chamas carbonizaram tudo ao seu redor
Será que tu és capaz de enxergar?
A ira de um ser que só quer te matar
Caminhando as pernas não se cansam mais
E diz que daqui pra frente, vai ser só pra trás
E eu quero mais, quero mais, sangue teu
Assobios perambulam no breu
Lá vai mais um, que morreu, que morreu
Com os seus pés ao contrário
E seus cabelos de chamas
Protegendo a floresta na ponta de sua lança
E eu quero mais, quero mais, sangue teu
Assobios perambulam no breu
Lá vai mais um, que morreu, que morreu
Ele nunca escondeu sua intenção, não
Alguns dizem que é o guardião
Com cabelos vermelhos que incendeiam mas não queimam a floresta
Se despeça e tenta atravessar
O inatravessável (inatravessável)
Os bichos que habitam a mata
Respeitam e ajudam em sua caçada
Avisam onde há presa calada
E cuidam de sua prima machucada
Caçadores tentam e tentam o encontrar
Graças as pegadas invertidas vão falhar
E caso algum deles um dia o achar
Com fogo seu corpo vai incendiar
Claro, todos tem medo do curupira
Raro, mas o que é que move sua ira?
Seriam os caçadores, que envenenaram a fauna?
Ou talvez homens brancos, que destroem toda a flora?
Barro, com pegadas que eram só de ida
Faro, aguçado e você tá na mira
Com um olhar de raiva, acho que ele te odeia
Sei que te assusta, é uma pena, oh que pena
Será que tu és capaz de enxergar?
A ira de um ser que só quer te matar
Caminhando as pernas não se cansam mais
E diz que daqui pra frente, vai ser só pra trás
E eu quero mais, quero mais, sangue teu
Assobios perambulam no breu
Lá vai mais um, que morreu, que morreu
Com os seus pés ao contrário
E seus cabelos de chamas
Protegendo a floresta na ponta de sua lança
E eu quero mais, quero mais, sangue teu
Assobios perambulam no breu
Lá vai mais um, que morreu, que morreu



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Runes & Rhymes e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: