A DEFINIÇÃO DIVINA
Samuel Correia
Não foi um verbo preso a pergaminho
Foi no silêncio que lavou os pés
Foi a seiva que nutriu a videira
Antes que o fruto fosse concebido
O alicerce do mundo já era amor
E o amor já era o corpo a ser partido
Amor é dar a vida pelo amigo
É a medida, sem medida, do destino
Não há maior que este mandamento
Amar a Deus com todo sentimento
E foi assim que a eternidade escreveu
Na tinta viva do seu próprio lado
Deus é amor, e esse verbo se fez carne
Para que o amor não fosse só palavra
Não é um conselho, nem filosofia
É o caminho, verdade vida
É o grão de trigo caindo na terra
É quem levanta a ovelha machucada
É a face que se volta para o açoite
É quem paga dívida, sem ter dívida
É o cálice aceito na vigília
É ágape nem troca, nem barganha
É vontade em ação, é lâmpada que não se apaga
É a toalha e a bacia, é a última ceia
É o rei servi seu servo
É a cruz erguida antes da fundação
O olhar que vê em nós o alicerce
Mesmo sabendo de cada negação
Amor é dar a vida pelo amigo
É a medida, sem medida, do destino
Não há maior que este mandamento
Amar a Deus com todo sentimento
E foi assim que a eternidade escreveu
Na tinta viva do seu próprio lado
Deus é amor, e esse verbo se fez carne
Para que o amor não fosse só palavra
Amor é dar a vida pelo amigo
É a medida, sem medida, do destino
Não há maior que este mandamento
Amar a Deus com todo sentimento
E nessa história, feita de sangue e graça
Para que o amor não fosse só palavra
Foi no madeiro, entre duas espessuras
Foi a prova concreta, a definição divina



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