La Vida Gris
(No entiendo para qué mierda)
(Me sigo forzando)
(Si siento que tengo todo más lejos)
(Qué paja que me da conocer gente)
(¿Alquilaré toda mi vida?)
(¿O en algún momento podré comprarme un terreno?)
(Voy al supermercado)
(Me sale dos mil millones de pesos un café)
Siempre pienso lo peor
Que tendría que estar en cualquier lado
Menos donde estoy
Soy mi propia enemiga
Miro para arriba
Y veo a mis ojos mirándome con cara de decepción
Romanticé tantas escenas que no estaban buenas
Pienso que ahora estoy más cuerda, pero menos llena
Me cuesta conformarme y hablo como un loro
¿Será que tengo alta la vara?
¿O qué me aburre todo?
Camino por la calle a calmar a mi cabecita
No quiero cruzarme con nadie, pero igual me gritan
Perdón, no estoy en el papel de ser humana
Hablamos en un rato
¿O tal vez mañana?
(Ah), el mundo que pide que exista
Y yo estoy buscándome el botón de apagar
No me siento una persona lista
Para convivir entre gente que tenga ansiedad (como yo)
Si miro para arriba, seguro que me insolo
Los bondis no me frenan
Hasta los que van solos
Miro las redes y me spoileo el final
De la serie que quería terminar
Señora, no me mire raro
Que hoy estoy sensible
No estoy pensando en mi futuro
Es poco predecible
Si alguien quiere decidir por mí, mejor
O me esperan un rato
Que le pregunto al tarot
(Ah), el mundo que pide que exista
Y yo estoy buscándome el botón de apagar
No me siento una persona lista
Para convivir entre gente que tenga ansiedad
(Ah), el mundo que pide que exista
Y yo estoy buscándome el botón de apagar
No me siento una persona lista
Para convivir entre gente que sufra, no sepa qué quiere, no haga terapia
Y encima, que tenga ansiedad
A Vida Cinza
(Não entendo pra que merda)
(Continuo me forçando)
(Se sinto que tudo tá mais longe)
(Dá uma preguiça conhecer gente)
(Vou alugar a vida toda?)
(Ou em algum momento vou conseguir comprar um terreno?)
(Vou no mercado)
(Um café tá custando dois mil reais)
Sempre penso no pior
Que eu deveria estar em qualquer lugar
Menos aqui onde estou
Sou minha própria inimiga
Olho pra cima
E vejo meus olhos me encarando com cara de decepção
Romantizei tantas cenas que não eram boas
Acho que agora tô mais sã, mas menos cheia
Me custa me conformar e falo como um papagaio
Será que tô com a expectativa muito alta?
Ou tudo me entedia?
Caminho pela rua pra acalmar minha cabeça
Não quero cruzar com ninguém, mas mesmo assim me gritam
Desculpa, não tô no papel de ser humana
A gente conversa depois
Ou talvez amanhã?
(Ah), o mundo que pede pra eu existir
E eu tô procurando o botão de desligar
Não me sinto uma pessoa pronta
Pra conviver com gente que tem ansiedade (como eu)
Se eu olho pra cima, com certeza eu me isolo
Os ônibus não me param
Nem os que vão sozinhos
Olho as redes e me dou spoiler do final
Da série que eu queria terminar
Senhora, não me olhe estranho
Que hoje tô sensível
Não tô pensando no meu futuro
É pouco previsível
Se alguém quiser decidir por mim, melhor
Ou me espera um pouco
Que eu pergunto pro tarot
(Ah), o mundo que pede pra eu existir
E eu tô procurando o botão de desligar
Não me sinto uma pessoa pronta
Pra conviver com gente que tem ansiedade
(Ah), o mundo que pede pra eu existir
E eu tô procurando o botão de desligar
Não me sinto uma pessoa pronta
Pra conviver com gente que sofre, não sabe o que quer, não faz terapia
E ainda por cima, que tem ansiedade