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Memória das pedras

Santy Pérez

Memoria de las piedras

Te dije que esto sería la historia de nunca acabar
Que volverías a mis brazos como vuelvo yo a cada bar
Como si cada noche fuera o bien la última o la primera
Y que estábamos condenados a irnos para regresar

Te dije que esto sería la historia de nunca acabar
Que cada piedra en que tropiezas
Es una trampa del azar
Se aprende a bajar los peldaños a base de hacerse más daño
Pero la guerra no se pierde aunque se hunda el barco en el mar

No le eches la culpa a mi falta de madurez
Y déjame que prefiera que siga siendo el pez
Que escapa de tu pecera porque quiere respirar
Mientras aprende en un vaso, paso a paso, a nadar

Te dije que esto sería la historia de nunca acabar
Que las reincidencias no son sinónimo de fracasar
Que la vida conduce a etapas
Que no aparecen en tus mapas
Que alguien puso dos bolas blancas
En esta mesa de billar

Te dije que esto sería la historia de nunca acabar
Que el deseo viaja de noche
Y el cariño es crepuscular
Y aunque la pasión no es eterna
Nos quedan dos pares de piernas
Que en el filo del precipicio nos invitarán a bailar

No le eches la culpa a mi exceso de insensatez
Y déjame que prefiera huir de cualquier red
Vivir en primavera que me espera el carnaval
Y muéstrame a toda prisa tu sonrisa vertical

Porque pasan los años y yo sigo siendo el mismo
Y tú dices que soy el profesor que te enseñó a llorar
Bailando tangos al filo de un abismo
Para escribir en la memoria
De las piedras esta historia de nunca acabar

No le eches la culpa a mi estado de embriaguez
Y déjame que prefiera calmar aún más mi sed
Bebiendo en tus caderas la humedad que pierde el mar
Y terminar en la gloria, esta historia de nunca acabar

Memória das pedras

Eu te disse que essa seria a história sem fim
Que você retornaria para os meus braços quando eu voltasse para cada bar
Como se toda noite fosse a última ou a primeira
E que nós estávamos condenados a deixar para voltar

Eu te disse que essa seria a história sem fim
Que toda pedra você tropeça em
É uma armadilha do acaso
Você aprende a diminuir os passos fazendo mais danos
Mas a guerra não está perdida mesmo que o navio afunde no mar

Não culpe minha falta de maturidade
E deixe-me preferir que continue sendo o peixe
Que escapa do seu aquário porque ele quer respirar
Enquanto aprende em um copo, passo a passo, nadar

Eu te disse que essa seria a história sem fim
Essa reincidência não é sinônimo de falha
Que a vida leva a estágios
Isso não aparece nos seus mapas
Que alguém colocou duas bolas brancas
Nesta mesa de bilhar

Eu te disse que essa seria a história sem fim
Esse desejo viaja à noite
E o amor é crepúsculo
E embora a paixão não seja eterna
Nós temos dois pares de pernas sobrando
Que na beira do precipício nós seremos convidados a dançar

Não culpe meu excesso de loucura
E deixe-me preferir fugir de qualquer rede
Viva na primavera que o carnaval me aguarda
E mostre-me com pressa o seu sorriso vertical

Porque os anos passam e eu ainda sou o mesmo
E você diz que eu sou o professor que te ensinou a chorar
Dançando tangos à beira de um abismo
Escrever na memória
Das pedras essa história sem fim

Não culpe minha embriaguez
E deixe-me preferir saciar a minha sede ainda mais
Bebendo a umidade que o mar perde em seus quadris
E termine em glória, essa história sem fim