A Media Luz
Corrientes 3, 4, 8,
segundo piso, ascensor.
No hay porteros ni vecinos.
Adentro, cocktail y amor.
Pisito que puso Maple:
piano, estera y velador,
un telefón que contesta,
una victrola que llora.
Viejos tangos de mi flor
y un gato de porcelana
pa' que no maulle al amor.
Y todo a media luz,
que es un brujo el amor,
a media luz los besos,
a media luz los dos.
Y todo a media luz
crepúsculo interior.
¡Qué suave terciopelo
la media luz de amor!
Juncal 12, 24
Telefoneá sin temor.
De tarde, té con masitas;
de noche, tango y cantar.
Los domingos, tés danzantes;
los lunes, desolación.
Hay de todo en la casita:
almohadones y divanes;
come en botica, cocó;
alfombras que no hacen ruido
y mesa puesta al amor.
Y todo a media luz,
que es un brujo el amor,
a media luz los besos,
a media luz los dos.
Y todo a media luz
crepúsculo interior.
¡Qué suave terciopelo
la media luz de amor!
À Meia Luz
Corredores 3, 4, 8,
segundo andar, elevador.
Não tem porteiros nem vizinhos.
Dentro, coquetel e amor.
Apertamento que o Maple fez:
piano, tapete e abajur,
um telefone que atende,
uma vitrola que chora.
Velhos tangos da minha flor
e um gato de porcelana
pra não miar pro amor.
E tudo à meia luz,
que o amor é um bruxo,
à meia luz os beijos,
à meia luz nós dois.
E tudo à meia luz
crepúsculo interior.
Que suave veludo
a meia luz do amor!
Juncal 12, 24
Ligue sem medo.
De tarde, chá com biscoitos;
de noite, tango e cantar.
Nos domingos, chás dançantes;
nas segundas, solidão.
Tem de tudo na casinha:
almofadas e sofás;
come na farmácia, cocó;
carpetes que não fazem barulho
e mesa posta pro amor.
E tudo à meia luz,
que o amor é um bruxo,
à meia luz os beijos,
à meia luz nós dois.
E tudo à meia luz
crepúsculo interior.
Que suave veludo
a meia luz do amor!
Composição: Carlos Cesar Lenzi - Edgardo Donato