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O Troféu

Silvina Garre

El Trofeo

Quiero que hoy escuches mis palabras
sordas y azules como un día de gracia,
quiero que aprendas a entender esta canción.

Quiero que sepas que hoy no espero nada
más que llegar con vida hasta mañana,
es una pena esta distancia entre los dos.

No quiero gritos
ni besos falsos,
no quiero tu perdón.

La gente piensa que lo tengo todo
hombres, dinero y un jardín al fondo,
nadie sospecha de esta tibia soledad.

¿Cómo se explican estos sueños raros
que me sorprenden cada madrugada?
¿Cómo se explican estas lágrimas de cal?
y este desorden que ya no aguanto
y esta falta de fe?

Renuncio a ser un monumento
que no ría ni llore, sin aplausos,
renuncio a ser de oro y de piedra,
renuncio a los lugares privados de conquistas.

Esta poesía se arma de a pedazos
como la vida de cualquier persona,
no te aseguro que la pueda terminar.

Rostros y estampas sobre el cielorraso,
rastros de insomnio en un rincón del cuarto.
Quiero un instante de sublime claridad
y un terremoto y un par de alas
y un pasaje al color.

Renuncio a dar lo que no quiero
y a mirar con tus ojos y sin los míos.
Renuncio a ser la mensajera, el trofeo de lata,
la mejor de las golpeadas hembras,
golpeadas hembras, golpeadas hembras.

O Troféu

Quero que hoje ouças minhas palavras
surdas e azuis como um dia de graça,
quero que aprendas a entender esta canção.

Quero que saibas que hoje não espero nada
mais que chegar viva até amanhã,
é uma pena essa distância entre nós dois.

Não quero gritos
nem beijos falsos,
não quero seu perdão.

As pessoas acham que eu tenho tudo
homens, dinheiro e um jardim lá atrás,
ninguém suspeita dessa solidão morna.

Como se explicam esses sonhos estranhos
que me surpreendem toda madrugada?
Como se explicam essas lágrimas de cal?
e esse desordem que já não aguento
e essa falta de fé?

Renuncio a ser um monumento
que não ri nem chora, sem aplausos,
renuncio a ser de ouro e de pedra,
renuncio aos lugares privados de conquistas.

Esta poesia se forma em pedaços
como a vida de qualquer pessoa,
não te asseguro que a possa terminar.

Rostos e imagens sobre o teto,
marcas de insônia em um canto do quarto.
Quero um instante de sublime clareza
e um terremoto e um par de asas
e uma passagem para a cor.

Renuncio a dar o que não quero
e a olhar com seus olhos e sem os meus.
Renuncio a ser a mensageira, o troféu de lata,
a melhor das fêmeas machucadas,
fêmeas machucadas, fêmeas machucadas.

Composição: Fito Páez