395px

Fim de Carnaval

Silvina Garre

Fin De Carnaval

Puedo pasarme horas sin hablar
y poner en punto muerto el corazón.
Mi corazón, él no sabe de piedad,
él no sabe de humildad,
no se conforma con latir.

Cada noche es como el fin de un carnaval,
el cielo siempre se guarda lo mejor.
Sabe contar que me ha visto en la ciudad
dando vueltas sin parar,
pidiendo a gritos por un dios.

¿Dónde están el amor y las ganas?
¿Dónde están los besos que me diste?
¿Dónde la eternidad que prometías?
¿Dónde esa eternidad?

El silencio siempre ignora mi dolor,
es un pozo hondo que invita a caer.
La casa está tan quietita para mí,
tan perdida para vos
que nunca más volviste a entrar.

Bajo la persiana y bailo un, dos, tres
(un, dos, tres, un, dos, tres)
es un vals liviano que me calmará.
Ser sólo piel, ser la hostia en el altar
y una garza al caminar.
Ser el espejo de los días.

Ser del sol y de todas las rutas,
ser del viento y de una sola pieza
y no matarse más en un recuerdo,
no postergarse así mas no olvidar.

Fim de Carnaval

Posso passar horas sem falar
E deixar o coração em ponto morto.
Meu coração, ele não sabe de piedade,
Ele não sabe de humildade,
Não se conforma em apenas bater.

Cada noite é como o fim de um carnaval,
O céu sempre guarda o melhor.
Sabe contar que me viu na cidade
Dando voltas sem parar,
Gritando por um deus.

Onde estão o amor e a vontade?
Onde estão os beijos que me deu?
Onde a eternidade que prometia?
Onde está essa eternidade?

O silêncio sempre ignora minha dor,
É um poço fundo que convida a cair.
A casa está tão quietinha pra mim,
Tão perdida pra você
Que nunca mais voltou a entrar.

Fecho a persiana e danço um, dois, três
(um, dois, três, um, dois, três)
É uma valsa leve que vai me acalmar.
Ser só pele, ser a porra no altar
E uma garça ao caminhar.
Ser o espelho dos dias.

Ser do sol e de todas as rotas,
Ser do vento e de uma só peça
E não se matar mais em uma lembrança,
Não se adiar assim, mas não esquecer.

Composição: Silvina Garre