Mujer Con Sombrero
Yo no vine a ti , viniste tú...
Yo no te esperaba y te bese
Se supone que debo callar
Se supone que debo reír
Se supone que ... no debo protestar
Se supone que eres un regalo
Que se me rompió enseguida
Y ahora , nada , lo de siempre
Se supone que eres el sombrero de una fiesta
De esos de cartón , para la ocasión
¡oh! mujer ...
Si supieras lo breve que entraba la luz
En la casa de un niño , en un alto edificio
Y que era la hora esperada del ida
No me hubieras besado en el hombro una vez
¡oh! mujer ...
Si supieras , lo breve que entraba esa luz
En una casa , que se llamaba la noche
En una casa en la que no había más puerta
Que la de la razón de aquel niño sin fe
Ahora se supone y nada más
Yo también quisiera suponer
Que la cobardía no existió
Que es un viejo cuento de dormir
Pero quedo yo ... en medio de mí.
Y en medio de las mismas paredes
Sonriendo a los amigos
Yendo allá , desayunando
Pero quedo yo aquí aplaudiendo una vez más
A los fantasmas de las seis
¡oh! mujer ...
Ojalá que contigo se acabe el amor
Ojalá hayas matado mi ultima hambre
Que el ridículo acaba implacable conmigo
Y yo , de perro fiel , lo transformo en canción
¡oh! mujer ...
No te culpes , la culpa es un juego de azar
Nadie sabe lo malo que puedes ser riendo
Ni lo cruel que pudiera salir un regalo
No te asustes del día que va a terminar
No te asusten los puentes , que caigan al mar
No te asustes de mi carcajada final.
Mulher Com Chapéu
Eu não vim até você, você que veio...
Eu não te esperava e te beijei
Se supõe que eu devo ficar quieto
Se supõe que eu devo rir
Se supõe que... não devo protestar
Se supõe que você é um presente
Que se quebrou logo de cara
E agora, nada, a mesma coisa de sempre
Se supõe que você é o chapéu de uma festa
Daqueles de papelão, para a ocasião
Oh! mulher...
Se soubesse o quão breve entrava a luz
Na casa de uma criança, em um prédio alto
E que era a hora esperada do dia
Você não teria me beijado no ombro uma vez
Oh! mulher...
Se soubesse, o quão breve entrava essa luz
Em uma casa, que se chamava a noite
Em uma casa onde não havia mais porta
Do que a razão daquela criança sem fé
Agora se supõe e nada mais
Eu também gostaria de supor
Que a covardia não existiu
Que é uma velha história de dormir
Mas fico eu... no meio de mim.
E no meio das mesmas paredes
Sorrindo para os amigos
Indo lá, tomando café da manhã
Mas fico eu aqui aplaudindo mais uma vez
Os fantasmas das seis
Oh! mulher...
Tomara que com você acabe o amor
Tomara que você tenha matado minha última fome
Que o ridículo acaba implacável comigo
E eu, de cachorro fiel, transformo em canção
Oh! mulher...
Não se culpe, a culpa é um jogo de azar
Ninguém sabe o quão mal você pode ser rindo
Nem o quão cruel pode sair um presente
Não se assuste com o dia que vai terminar
Não se assuste com as pontes, que caiam no mar
Não se assuste com minha risada final.
Composição: Silvio Rodríguez