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Carretão

Silvio Rodriguez

Carreton

Carretón, coche en mis juegos
con látigos de papel
y una piedra de corcel
tiraba en riendas de fuegos.

Carretón, carreta luego,
de andar triste y oxidado,
se hizo trabajo pesado
de mis hermanos mayores.
Y al centro de los dolores
iba mi padre sentado.

Niño apenas le miraba
irse, mas cuando volvía
venía callado ante el día
tras de su yegua cansada.

Calle San Juan, por tu grava
cuántas huellas de pobreza
fueron vendiendo dureza
de la suerte de mi padre
para entregarle a mi madre
un bocado de tristeza.

Veo tus manos aún fuertes
triunfal del tiempo emergiendo,
y tus arrugas sonriendo
detrás de tu vieja muerte.

Cuánto diera por tenerte,
aquí, que hoy todos son dueños,
este hoy que suma empeños
del sudor de tus camisas
cuando brindamos sonrisas
en carretones de sueños.

Carretão

Carretão, carro nos meus jogos
com chicotes de papel
e uma pedra de cavalo
tirava nas rédeas de fogo.

Carretão, carroça então,
de andar triste e enferrujado,
fazendo trabalho pesado
dos meus irmãos mais velhos.
E no centro das dores
ia meu pai sentado.

Menino, mal o via
partir, mas quando voltava
vinha calado diante do dia
atrás de sua égua cansada.

Rua São João, por sua brita
quantas marcas de pobreza
foram vendendo dureza
na sorte do meu pai
para entregar à minha mãe
um pedaço de tristeza.

Vejo suas mãos ainda fortes
triunfante do tempo surgindo,
e suas rugas sorrindo
depois de sua velha morte.

Quanto daria para te ter,
aqui, que hoje todos são donos,
este hoje que acumula esforços
do suor das suas camisas
quando brindamos sorrisos
em carretões de sonhos.

Composição: Lazaro Garcia