395px

Mariko-san

Silvio Rodriguez

Mariko-san

Donde quiera me encuentro un papel
de Mariko-San.
Donde quiera descubro un recado,
un guiño de ojo.
Ando en una gaveta, abro un libro
registro un bolsillo, levanto un mantel.
Donde quiera me encuentro un papel
de Mariko-San.

El verano llegó desde ayer
no quiso esperar.
Mete leña en su horno de sietemesino
y ahoga.
El verano a pesar de las cosas
que pese al verano se deben hacer.
El verano llegó desde ayer
no quiso esperar.

Hoy debiera contar hasta cien
y luego soñar.
Hoy debiera volver del océano
y ser bienvenido.
Hoy debiera andar sin zapatos,
casarme de pronto sin saber con quién.
Hoy debiera contar hasta cien.

Hoy debiera contar hasta cien.
Hoy debiera contar hasta cien.
y luego soñar.

Mariko-san

Onde quer que eu vá, encontro um papel
da Mariko-San.
Onde quer que eu olhe, descubro uma mensagem,
um piscar de olhos.
Estou em uma gaveta, abro um livro,
registo um bolso, levanto uma toalha.
Onde quer que eu vá, encontro um papel
da Mariko-San.

O verão chegou desde ontem
não quis esperar.
Coloca lenha no seu forno de sete meses
e sufoca.
O verão, apesar das coisas
que mesmo com o verão precisam ser feitas.
O verão chegou desde ontem
não quis esperar.

Hoje eu deveria contar até cem
e depois sonhar.
Hoje eu deveria voltar do oceano
e ser bem-vindo.
Hoje eu deveria andar descalço,
casar de repente sem saber com quem.
Hoje eu deveria contar até cem.

Hoje eu deveria contar até cem.
Hoje eu deveria contar até cem.
e depois sonhar.

Composição: Silvio Rodríguez