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Mulher Sem Chapéu

Silvio Rodriguez

Mujer Sin Sombrero

Si un funcionario y un poeta amaran la misma mujer
Que nueva implicación tendría la guerrá astuta que padecen
Y en fin donde se posaría la victoria, el amor

El funcionario con funciones
El poeta cambiando de voz
Los dos haciéndose pedazos
Contra el temible amor
Los dos haciéndose pedazos
Contra el temible amor

Si les pregunto a los presentes a cual de los dos le van
Los despeinados al poeta y los peinados al suicidio
Y solo yo lo apuesto todo
A la mujer

Hicimos el amor en la ventana
Y el vecino de en frente se quejo

Eso no lo sabias, no lo dije
Que ventana mejor se humedeció

No llegue a ir al mar pero fui al pueblo
Y en el lugar donde iba tu voz

Siempre se hizo silencio un gran silencio
Nadie ocupo tu silla, tu canción

Hay que salvar esos recuerdos de todo lo que fue ruin
Hay que salvar esos recuerdos para salvarte a ti

Hay un amor que da a lo diario que te va a comprender
Y otro que canta y eterniza que te hace trascender

Cada cual da lo que tiene unos dan necesidad
Y otros regalan las palabras veremos que dura mas
Y otros regalan las palabras
Veremos que dura mas

Hay el amor omnipotente
Hay el amor desesperado
Que descorazona las piedras
Que es mas semilla que semilla
Que es mas arado que el arado

Hay el amor de amor, de amor hay el amor como una tumba
Hay el amor de laberintos mas complicados que un sombrero
Hay el amor cercano a Cristo

Mi amor no ha sido tan tremendo
Ni tan ancho, ni tan bello, ni tan triste, ni tan sabio
Ni tan solo, ni tan loco, ni tan todo, ni tan nada
Pero canta

Mulher Sem Chapéu

Se um funcionário e um poeta amassem a mesma mulher
Que nova implicação teria a guerra astuta que eles sofrem
E afinal, onde se posaria a vitória, o amor

O funcionário com suas funções
O poeta mudando de voz
Os dois se despedaçando
Contra o temível amor
Os dois se despedaçando
Contra o temível amor

Se eu perguntar aos presentes a qual dos dois eles torcem
Os bagunçados pelo poeta e os arrumados pelo suicídio
E só eu aposto tudo
Na mulher

Fizemos amor na janela
E o vizinho da frente reclamou

Isso você não sabia, eu não disse
Que janela melhor se umedeceu

Não cheguei a ir ao mar, mas fui à cidade
E no lugar onde ia sua voz

Sempre fez silêncio, um grande silêncio
Ninguém ocupou sua cadeira, sua canção

É preciso salvar essas memórias de tudo que foi ruim
É preciso salvar essas memórias para salvar você

Há um amor que dá ao cotidiano que vai te compreender
E outro que canta e eterniza que te faz transcender

Cada um dá o que tem, uns dão necessidade
E outros presenteiam com palavras, veremos o que dura mais
E outros presenteiam com palavras
Veremos o que dura mais

Ah, o amor onipotente
Ah, o amor desesperado
Que desarma as pedras
Que é mais semente que semente
Que é mais arado que o arado

Ah, o amor de amor, de amor, há o amor como uma tumba
Ah, o amor de labirintos mais complicados que um chapéu
Ah, o amor próximo a Cristo

Meu amor não foi tão tremendo
Nem tão amplo, nem tão belo, nem tão triste, nem tão sábio
Nem tão só, nem tão louco, nem tão tudo, nem tão nada
Mas canta

Composição: