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Demencia

Solitario

Letra

Demência

Demencia

Ah, AhAh, Ah

Tô cansado de viver desse jeitoEstoy cansado de vivir de este modo
As coisas nunca parecem mudarLas cosas no parecen cambiar nunca
Tento dar um tempo pro papelIntento darle un margen de descanso al folio
Mas esse martírio mental me atormentaPero, este martirio mental me suscita

E volto a preencher as margensY vuelvo a rellenar los márgenes
Pra não acabar com elas e não me matarPor no acabar con ellos y por no matarme
Escrevo isso como posso enquanto tremoEscribo esto como puedo mientras tiemblo
Por causa desse pânico e dessa ansiedade constantesA causa de este pánico y esta ansiedad constantes

E minha vida para, mas a terra giraY mi vida se para pero la tierra gira
Me refugio no meu quarto e fecho as janelasMe refugio en mi cuarto y cierro las ventanas
Prefiro apodrecer aqui trancadoPrefiero pudrirme aquí encerrado
Do que ser parte dessa sociedade podreAntes que ser parte de esa sociedad podrida

Sempre fui o esquisitão da turmaSiempre fui el rarito de la clase
Agora sou um maluco vagando pela ruaAhora soy un loco que deambula por la calle
E amanhã, quem sabe, posso ser o autor da pior das tragédiasY mañana quien sabe, si puedo ser autor de la peor de las masacres

Vamos ver quem tem coragem de rirA ver quien tiene valor de reírse
No dia em que minha paciência chegar ao limiteEl día en que mi paciencia toque el límite
Jogam a pedra e escondem a mãoTiran la piedra y esconden la mano
Mas hoje sou quem sou pelo que vocês me fizeramPero hoy soy quien soy por lo que me hicisteis

E mesmo que eu não tenha coragem de tirar minha própria vidaY aunque no tenga el valor de quitarme la vida
O valor dela diminui a cada diaDecrece cada día el valor de la misma
Os problemas que carrego são um fardoLos problemas que arrastro son una carga
E de tanto peso, me tornei um pessimistaY de tanto peso me hice un pesimista

Sempre fui rejeitado pelos outrosSiempre fui rechazo por lo demás
Desculpa, mãe, nunca fui um garoto normalLo siento mama nunca fui un chaval normal
Agora sinto um desprezo que me invadeAhora siento un rechazo que me invade
Por esse mundo ao qual devo minha demênciaHacia este mundo al que le debo mi demencia

Sei que um dia minhas obras vão transcenderSe que un día mis obras transcenderán
Que farei história quando já for históriaQue haré historia cuando ya sea historia
Mas essa merda não me importaPero esa mierda me suda la polla
Porque pra mortos, coroas não servemPorque a los muertos no les sirve las coronas

Faz tempo que não saio de casaHace un tiempo ya, que no salgo de casa
Às vezes me forço, quase nunca é por prazerA veces me obligo, casi nunca es por placer
A rua tá contaminada de caras falsasLa calle está contaminada de caras falsas
Escondidas atrás de sorrisos que te enganamOcultadas tras sonrisas que te mienten

E minha vida para, mas a terra giraY mi vida se para pero la tierra gira
Me refugio no meu quarto e fecho as janelasMe refugio en mi cuarto y cierro las ventanas
Prefiro apodrecer aqui trancadoPrefiero pudrirme aquí encerrado
Do que ser parte dessa sociedade podreAntes que ser parte de esa sociedad podrida


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