Boatman's Loneliness
Through veins of green, I carve my way
A shadowed soul on waters gray
The paddle bites, the silence screams
A world alive, yet lost in dreams
The canopy weeps, a shroud of gloom
Each ripple whispers of my doom
No voice but mine, no light to steer
The river’s pulse, my only fear
The current pulls, a fleeting ghost decaying
O loneliness, my wretched crown
In endless streams, I'm sinking down
The jungle looms, a titan’s breath
A beauty vast, a dance with death
The river mirrors stars untold
A brief warmth in waters cold
The grandeur holds me, vast and deep
In nature’s arms, I long to weep
Thorns engrave my silent name!
Skyless days ignite my shame!
No fire, no flesh – just hollow breath!
A shrine of roots becomes my death!
Mud for blood, and bark for skin
A void devours the light within!
No path, no time, no solemn grace!
O solitude, my fragile throne
Through emerald halls, I drift alone
Yet in this void, the wild sings free
A mournful hymn to bury me
O loneliness, my wretched crown
In endless streams, I'm sinking down
The jungle looms, a titan’s breath
A beauty vast, a dance with death
Drift on, drift on, through infinite green
A boatman lost, unseen, obscene
The river cradles all my pain
A lonesome soul in nature’s reign
In beauty’s grasp, I’ll cease to be
The boatman’s curse - will face it for the eternity
Solidão do Barqueiro
Por veias verdes, eu abro meu caminho
Uma alma sombria em águas cinzas
O remo morde, o silêncio grita
Um mundo vivo, mas perdido em sonhos
O dossel chora, um manto de tristeza
Cada onda sussurra sobre meu destino
Nenhuma voz além da minha, nenhuma luz pra guiar
O pulso do rio, meu único medo
A corrente puxa, um fantasma fugaz se deteriorando
Ó solidão, minha coroa miserável
Em correntes sem fim, estou afundando
A selva se ergue, o fôlego de um titã
Uma beleza imensa, uma dança com a morte
O rio reflete estrelas não contadas
Um breve calor em águas frias
A grandeza me envolve, vasta e profunda
Nos braços da natureza, anseio por chorar
Espinhos gravam meu nome silencioso!
Dias sem céu acendem minha vergonha!
Sem fogo, sem carne – apenas um sopro vazio!
Um santuário de raízes se torna minha morte!
Lama por sangue, e casca por pele
Um vazio devora a luz dentro de mim!
Sem caminho, sem tempo, sem graça solene!
Ó solidão, meu trono frágil
Por corredores esmeralda, eu flutuo sozinho
Ainda assim, neste vazio, a selva canta livre
Um hino triste para me enterrar
Ó solidão, minha coroa miserável
Em correntes sem fim, estou afundando
A selva se ergue, o fôlego de um titã
Uma beleza imensa, uma dança com a morte
Flutue, flutue, através do verde infinito
Um barqueiro perdido, invisível, obsceno
O rio embala toda a minha dor
Uma alma solitária no reinado da natureza
Na garra da beleza, eu deixarei de existir
A maldição do barqueiro - enfrentarei por toda a eternidade
Composição: Flávio Augusto Dourado