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O Pilar Cortado

Solivagus

The Severed Pillar

Above the clouds, the stone still bleeds
A wound where branches once touched the skies
No roots now, just jagged bones
A giant felled, yet not by men

This isn't hope, it isn't rage
Just mist and shale and brittle light
The ghosts up here don't whisper much
They only watch me get it right
They don't demand I understand
Just that I walk and never turn
I wasn't shaped for cheers or praise
Just for the endless fall that pulls me down

The wind remembers what we lost
It claws my face like ancient grief
I climb to silence all below
To earn a death that speaks belief

This isn't hope, it isn't rage
Just mist and shale and brittle light
The ghosts up here don't whisper much
They only watch me get it right

Let me break where legends broke
Above the line where eagles choke

Beneath me lies no soft farewell
Just final flight from mortal plight
Let me fall through timeless haze
From Wazaká's last rootless base

Beneath me lies no soft farewell
Just final flight from mortal plight
Let me fall through timeless haze
From Wazaká's last rootless base

I see no gods upon this peak
Just fossil trees and wind too still
The sky pretends to be a gate
A lie I need, a lie that frees
I cast no shadow on this stone
For I became what can't descend
A soul unfit for dusk or dawn
This leap shall seal my silent end forever

O Pilar Cortado

Acima das nuvens, a pedra ainda sangra
Uma ferida onde os galhos um dia tocaram os céus
Sem raízes agora, só ossos irregulares
Um gigante derrubado, mas não por homens

Isso não é esperança, não é raiva
Apenas névoa e xisto e luz frágil
Os fantasmas aqui em cima não sussurram muito
Eles só me observam acertar
Não exigem que eu entenda
Apenas que eu ande e nunca vire
Não fui moldado para aplausos ou louvores
Apenas para a queda sem fim que me puxa pra baixo

O vento lembra o que perdemos
Ele arranha meu rosto como uma dor antiga
Eu subo para silenciar tudo abaixo
Para conquistar uma morte que fala crença

Isso não é esperança, não é raiva
Apenas névoa e xisto e luz frágil
Os fantasmas aqui em cima não sussurram muito
Eles só me observam acertar

Deixe-me quebrar onde as lendas quebraram
Acima da linha onde as águias se engasgam

Debaixo de mim não há um suave adeus
Apenas o voo final da luta mortal
Deixe-me cair através da névoa atemporal
Da última base sem raízes de Wazaká

Debaixo de mim não há um suave adeus
Apenas o voo final da luta mortal
Deixe-me cair através da névoa atemporal
Da última base sem raízes de Wazaká

Não vejo deuses neste pico
Apenas árvores fósseis e um vento muito parado
O céu finge ser um portão
Uma mentira que eu preciso, uma mentira que liberta
Não projeto sombra nesta pedra
Pois me tornei o que não pode descer
Uma alma inadequada para o crepúsculo ou a aurora
Este salto selará meu fim silencioso para sempre

Composição: Flávio Augusto Dourado