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O Mungo

Mano Solo

El Mungo

En cette Espagne en feu il brûlait dans mon dos
El Mungo auréolé de ses cheveux de flammes ravagé
Il crachait sa fureur fulminant, il rougissait la lune
Et sa fumée éffacait les étoiles
Socorro hurlaient les oiseaux, ayudame criaient les arbres dévorés
Je regardais mes amis qui ne létaient plus
Comme derrière sur le rocher un bout de ma vie partait en fumée
Tout ce chemin pour ici se consumer dans des vacances sans magie
Dans nos bagages il devait y avoir tout Paris sa froideur et son ennui
Ses vieilles histoires trop vieilles pour encore y croire
J'avais jamais vu une piscine aussi triste
J'aurais voulu murer mes yeux mais je n'ai pu que les fermer
C'est alors qu'une voix parfumée de feutre et de velours
Qui se glisse dans ma main et desserre mes poings et dessine sur ma peau
D'Andalouses arabesques qui chatouillent ma solitude en cette énième turpitude
C'est une voix qui de son tango me dit les mots qu'il faut pour rester droit comme un i
Tout en faisant basculer sa vie
Et je suis resté colgado a tus labios sans même connaître ton visage
Sans même avoir besoin d'y mettre une image
J'avais déjà les bras de ta musique qui magiques me faisaient traverser
Cet avatar pathétique enroulé de ta douce langue chaude et sucrée
J'en ai accepté le baiser tu ne peux savoir le bien que ça fait d'aimer
De se faire ébrécher le mur autour du coeur par une inexorable douceur

O Mungo

Nesta Espanha em chamas, ele queimava nas minhas costas
O Mungo, cercado por seus cabelos de fogo, devastado
Ele cuspia sua fúria, fulminante, avermelhando a lua
E sua fumaça apagava as estrelas
Socorro, gritavam os pássaros, ayudame, clamavam as árvores devoradas
Eu olhava para meus amigos que já não estavam mais
Como atrás, na rocha, um pedaço da minha vida se perdia em fumaça
Todo esse caminho para aqui se consumir em férias sem magia
Nas nossas malas devia ter todo o Paris, seu frio e seu tédio
Suas velhas histórias, muito antigas para ainda acreditar
Nunca vi uma piscina tão triste
Queria ter murado meus olhos, mas só consegui fechá-los
Foi então que uma voz, perfumada de feltro e veludo
Se deslizou na minha mão, afrouxou meus punhos e desenhou na minha pele
De andaluzas arabescos que provocam minha solidão nesta enésima turpitude
É uma voz que, com seu tango, me diz as palavras certas para ficar reto como um i
Enquanto faz sua vida balançar
E eu fiquei colgado aos teus lábios sem nem conhecer teu rosto
Sem nem precisar colocar uma imagem
Já tinha os braços da tua música que, mágica, me faziam atravessar
Esse avatar patético, enrolado na tua doce língua quente e açucarada
Aceitei o beijo, você não pode saber o bem que faz amar
De se fazer quebrar o muro ao redor do coração por uma inexorável doçura

Composição: