O Equilibrista
De todos os seus amigos
Do circo de rua
Nenhum tinha dito
Ao velho equilibrista
Que ele também era
Às vezes sonâmbulo
Isso não teria servido
Pra nada, de verdade
O público foi embora
Quando a lua lá fora
Através do buraco
Da velha lona
Acendia um céu
Todo cheio de estrelas
O velho equilibrista
Chegava na hora
Ele que não era
Tão certo de si
Que sofria das costas
Que tinha vertigens
Estava todo mudado
Era um prodígio
Sim, era realmente
O dia e a noite
Não precisava mais de sombrinha
Nem de vara de equilíbrio
Os saltos mortais
Ficavam fáceis
Ele era gracioso
Ele era ágil
Como um semideus
Sobre seu fio de aço
E foi assim
Que uma criança o viu
Uma criança punida
Ou um filho de pobre
Que se esgueirou
Na fumaça das feras
E que o admirava
Com um olhar encantado
Espectador casual
Deste número
A criança aplaudiu
De tantas maravilhas
Mas um sonâmbulo
Quando é acordado
Como um equilibrista
Cai de muito alto
De todos os seus amigos
Do circo de rua
Nenhum tinha dito
Ao velho equilibrista
Que ele também era
Às vezes sonâmbulo
As pessoas do caminho
São pessoas muito boas