Noè
Sono in quest'isola da oltre seimila anni
E mi tortura solo un'idea: chi mi ha costruito la barca.
Sono Noè.
Ho visto passare tante di quelle barche in piedi:
solo la mia si è affondata.
Ne vedo di tutti i colori: bianche, bianche bianche, rosse, verdi
La mia era anemica, ma l'aveva assicurata quel pecorone che si reggeva in piedi.
Fatti in là, lombrico, che sto parlando.
M'aveva assicurato che reggeva per duemila anni.
Come sono salpato, dopo quattro minuti già fallava, faceva già acqua.
Per trovare il cesso ci voleva un rabdomante,
quando l'ho trovato c'era l'oceano.
Due antilopi sono scappate a Roma, invece un serpente a Mosca,
Leone che stava vicino a me, ha raggiunto le due antilopi:
mi fa ridere perché dopo seimila anni è tornata fuori questa faccenda. Molto strano.
Meno male che con me m'ero portato Stivel Laschs, che mi tiene compagnia,
e Suelle, la cugina di Puelle. E' un po' anzianotta, ma mi tiene buona compagnia.
Ultimamente mi sono dato all'editoria.
Ho fatto una co-edizione con Nostradamus,
e ho previsto diversi guaioni per voi, terrestri.
Il signor Noè a telefono. Il signor Noè a telefono.
- Chi sarà. Pronto?
- Pronto? Son Noè. No, no, scusa, scusa, son Nettuno, quello de' cantieri...
- Poc'anzi t'avevo nominato.
- Eh, meno male, guarda... te ne sei ricordata quella fatturina? C'ho quella fatturina...
- E me lo chiami un difetto?
- No, ora, ora i' difetto lascia fare perché tanto sai quello... però, però...
- A parte il fatto che l'arredamento era tremendo.
- No... treme... tremendo un cazzo! Eh...
- Sono inciampato cinque volte.
- No, inciampato, ora unn'esageriamo inciampato, via...
- Sul cesso di moquette che mi hai messo nella mia camera da letto.
- No... scusa, parlo io un minuto. Inciampato per dire...
- Per non parlare del rifugio, degli animali.
- Macchè rifugio... il rifugio te l'ha fatto quell'altro bastardo di Vigevano...
- Ah sì? Li trovavo da tutte le parti...
- No no no no no no no no no no, no no no no, senti, io c'ho la fattura, te l'ho mandata...
- Sì? Hai ricevuto una raccomandata?
- No... io ho ricevuto la raccomandata? Ma chi me l'ha mandata?
- Sono i miei figli, a Montecarlo...
- Ah... i figl...eh, no no no no no.
- ...che hanno messo una ditta di barche.
- Ah, alle spalle mie? Allora te tu mi vorresti fa' la concorrenza.
- Le spalle decenti, sì.
- Noè?
- No no no no...
- Noè, senti, ho bisogno di quattrini una cosa bestiale... bestiale, guarda, sono rovin... è seimila anni che soffro. C'ho una cambiale fra du' giorni.
- Sei veramente una testa calda.
- Oddio, testa calda, vero, unn'offendiamo, ma comunque...
- Lasciami la mia tranquillità. E' passato molto tempo.
- Ora io un ti voleo disturbare...
- Poi l'IVA non c'era.
- L'IVA, che discorsi... si fa tutto nero. Eh...
- No.
- Come no? Che ha' bisogno, della fattura?
- E dovrei pagarti per quel mozzicone galleggiante? Mai.
- No, mozzico... stai calmo, ha vinto anche le regate quella lì...
- Uno stoico muore ma non aderisce.
- E non aderire, io voglio quattrini. Eh. Unn'ho capito. Ora fra poco c'è un altro diluvio in, in programmazione, figurati, me le chiedan com'i pane... se no tu mi rendi la barca. Affondata. Affondata un cazzo! Affondata. Affondo ma io, un c'ho un bottone. Accident'a te, Noè. Fa anche rima.
Noé
Estou nesta ilha há mais de seis mil anos
E só uma ideia me tortura: quem construiu a minha arca.
Sou Noé.
Vi passar tantas barcas em pé:
só a minha afundou.
Vejo de todas as cores: brancas, brancas brancas, vermelhas, verdes
A minha era anêmica, mas aquele idiota que estava de pé tinha feito o seguro.
Sai da frente, minhoca, que estou falando.
Ele me garantiu que aguentava por dois mil anos.
Assim que zarpei, depois de quatro minutos já estava falhando, já estava fazendo água.
Para encontrar o banheiro precisava de um rabdomante,
quando encontrei, já tinha o oceano.
Duas antílopes fugiram para Roma, enquanto uma cobra foi para Moscou,
O leão que estava perto de mim alcançou as duas antílopes:
me faz rir porque depois de seis mil anos essa história voltou à tona. Muito estranho.
Ainda bem que trouxe comigo Stivel Laschs, que me faz companhia,
e Suelle, a prima de Puelle. Ela é um pouco velha, mas me faz boa companhia.
Ultimamente me dediquei à edição.
Fiz uma co-edição com Nostradamus,
e previ várias catástrofes para vocês, terrestres.
O senhor Noé ao telefone. O senhor Noé ao telefone.
- Quem será? Alô?
- Alô? Sou Noé. Não, não, desculpa, desculpa, sou Netuno, aquele dos estaleiros...
- Há pouco te mencionei.
- Ah, ainda bem, olha... você se lembrou daquela fatura? Eu tenho aquela fatura...
- E você me chama de defeito?
- Não, agora, agora o defeito deixa pra lá porque você sabe como é... mas, mas...
- Além do fato de que a decoração era horrível.
- Não... horrível um caralho! Eh...
- Eu tropecei cinco vezes.
- Não, tropeçado, agora não exageremos, tropeçado, vai...
- No banheiro de carpete que você colocou no meu quarto.
- Não... desculpa, deixa eu falar um minuto. Tropeçado, pra dizer...
- Sem falar do abrigo, dos animais.
- Que abrigo nada... o abrigo foi aquele outro bastardo de Vigevano...
- Ah, é? Eu encontrava por toda parte...
- Não não não não não não não não, não não não não, escuta, eu tenho a fatura, eu te mandei...
- Sim? Você recebeu uma carta registrada?
- Não... eu recebi a carta registrada? Mas quem me mandou?
- São meus filhos, em Montecarlo...
- Ah... os filhos... eh, não não não não não.
- ...que abriram uma empresa de barcos.
- Ah, nas minhas costas? Então você quer me fazer concorrência.
- As costas decentes, sim.
- Noé?
- Não não não não...
- Noé, escuta, eu preciso de grana, uma coisa absurda... absurda, olha, estou arruinado... faz seis mil anos que estou sofrendo. Tenho uma nota promissória em dois dias.
- Você é realmente uma cabeça quente.
- Meu Deus, cabeça quente, é verdade, não vamos ofender, mas de qualquer forma...
- Deixa eu em paz. Já faz muito tempo.
- Agora eu não quero te incomodar...
- E a VAT não existia.
- A VAT, que conversa... tudo é feito na informalidade. Eh...
- Não.
- Como não? O que você precisa, da fatura?
- E eu deveria te pagar por aquele pedaço de madeira flutuante? Nunca.
- Não, pedaço... fique calmo, ela também ganhou as regatas...
- Um estoico morre, mas não se entrega.
- E não se entregar, eu quero grana. Eh. Não entendi. Agora, logo tem outro dilúvio em, em programação, imagina, me pedem como se fosse pão... se não, você me devolve a arca. Afundada. Afundada um caralho! Afundada. Eu afundo, mas não tenho um botão. Que se dane você, Noé. Rima até.