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Abismo de Ilusões

Sulino e Marrueiro

Letra

    Mulher ingrata o seu rosto descorado
    Já não esconde o desgosto que sofreu
    Se você fez de sua vida um mercado
    Este destino você mesma escolheu

    Você já teve um certo lar como um abrigo
    E teve um homem que outrora lhe quis bem
    Mas por vaidade desprezou o lar antigo
    Para viver entre as mulheres de ninguém

    Naquele dia quando você foi embora
    Desesperado chorei lágrimas de dor
    E nunca mais esqueci a triste hora
    Que para sempre eu fiquei sem seu amor

    O meu consolo é abraçar nossa filhinha
    Que tanto chora porque não pode te ver
    Para o meu martírio essa pobre coitadinha
    A todo instante me pergunta por você

    "papaizinho, onde está minha mãezinha
    Todas as criancinhas têm mãe
    Só eu que não tenho a minha

    Não chora filhinha
    Enxugue os olhinhos seus
    Sua mãezinha querida
    Foi para o céu junto de deus"

    Mulher ingrata é impossível que no limbo
    Você consiga repousar em santa paz
    É impossível que não doa em seu peito
    A negra mancha que só a morte desfaz

    A boemia é um abismo de ilusões
    Onde os boêmios sepultam a morar
    No fim da vida em cruéis desilusões
    Todos recebem um castigo do seu mal


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