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Madame Minha Vizinhança

Anne Sylvestre

Madame Ma Voisine

Madame ma voisine
Votre fille ne vaut rien
Les langues vipérines
Vous le répètent bien
Et dans votre cuisine
Vous vous tordez les mains
Votre sage gamine
Suit les mauvais chemins

Je les ai vus passer
Hier soir dans la ruelle
Je l'ai trouvée bien belle
Et lui, bien empressé
Moi, les sachant en fuite
Voyant leur désarroi
J'ai dit: Entrez chez moi
Fermez la porte vite

Madame ma voisine
Votre fille n'est pas loin
J'ai sa chemise fine
À réparer un brin
Et là dans ma cuisine
Ils se tiennent les mains
Je trouve votre gamine
Bien belle ce matin

Je leur ai préparé
Mes draps de belle toile
Et puis sous les étoiles
M'en suis allée rêver
Je vous ai vue inquiète
Fouiller tous les buissons
La fille, le garçon
Se menaient grande fête

Madame ma voisine
Votre fille est si bien
Douce fleur d'églantine
Au plus beau des jardins
La voici donc cousine
Des fées qui le matin
Mirent leur belle mine
Dans les yeux d'un lutin

Quand ils auront fini
Tout leur comptant de rêve
Les journées sont trop brèves
Pour revivre les nuits
Votre fille viendra
Vous dire que les fougères
Lui ont griffé les bras
Et froissé les paupières

Madame ma voisine
Un d' ces quatre demains
Là dans votre cuisine
Vous vous tordrez les mains
Déjà je leur destine
Mon linge le plus fin
Moi, quand j'étais gamine
J' n'ai pas eu de voisins

Madame Minha Vizinhança

Madame minha vizinha
Sua filha não vale nada
As línguas venenosas
Falam isso bem
E na sua cozinha
Você se retorce as mãos
Sua sábia menina
Segue os caminhos errados

Eu os vi passar
Ontem à noite na viela
Achei ela tão linda
E ele, bem apressado
Eu, sabendo que estavam fugindo
Vendo a confusão deles
Disse: Entrem na minha casa
Fechem a porta rápido

Madame minha vizinha
Sua filha não está longe
Eu tenho a camisa dela
Pra consertar um pouco
E lá na minha cozinha
Eles se seguram as mãos
Eu acho sua menina
Bem bonita esta manhã

Eu preparei pra eles
Minhas roupas de linho
E então sob as estrelas
Fui sonhar um pouquinho
Eu te vi preocupada
Revistando os arbustos
A menina, o menino
Faziam uma grande festa

Madame minha vizinha
Sua filha está tão bem
Doce flor de branquilho
No mais belo dos jardins
Aqui está, então, prima
Das fadas que de manhã
Colocam sua beleza
Nos olhos de um duende

Quando eles terminarem
Todo o seu sonho contado
Os dias são curtos demais
Pra reviver as noites
Sua filha virá
Te dizer que as samambaias
Arranharam seus braços
E amassaram suas pálpebras

Madame minha vizinha
Um desses dias por aí
Lá na sua cozinha
Você se retorcerá as mãos
Já estou destinando
Minhas roupas mais finas
Eu, quando era menina
Não tive vizinhos.

Composição: Anne-Marie Thérèse