395px

A carta de despedida

Anne Sylvestre

La lettre d'adieu

Une lettre d'Armand!
Elle ébauche un sourire
C'est presque un revenant
Qu'a-t-il donc à lui dire?
Une courte folie
Vagabonde adultère
Les avait réunis
Dans le plus grand mystère
Il n'en était resté
Qu'une vague tendresse
Et quelques déjeuners
Teintés de gentillesse

Adieu, car c'en est trop
Je n'ai plus de courage
Quand tu liras ces mots
J'aurai plié bagage

Ils étaient rescapés
De blessures semblables
Mais n'avaient pas tenté
De bâtir sur le sable
Quelques acrobaties
Dans des lits de passage
Lorsque des mains amies
Hébergeaient leurs voyages
Avaient su malgré tout
Esquisser sans ratures
Les contours un peu flous
D'une aimable aventure

Adieu, ça fait trop mal
Où est passée ma vie?
Je n'ai plus le moral
Et plus aucune envie

Il y eut des étés
Il y eut des absences
Trop de moments passés
À guetter le silence
Des rendez-vous manqués
Des faux-pas, des esquives
Téléphones tronqués
Toujours sur le qui-vive
Et tout se dénoua
Sans même une rupture
En laissant derrière soi
Une douceur qui dure

Adieu, c'est décidé
J'ai écrit à ma mère
À ma femme dévouée
Et à toi, la dernière

Et il la remercie
Pour cette part de rêve
Et pour cette éclaircie
Quand il manquait de sève
Elle tombe en sanglots
Les souvenirs l'agressent
Elle revit les complots
Les rires, les caresses
Balaie jusqu'au fond
Se mouche à perdre haleine
S'enferme, se morfond
Liquide enfin sa peine

Allo, je suis resté
J'ai raté mon voyage
Ma femme m'a repêché
Pardon, je serai sage

Ah, non! Je t'ai pleuré
Pleuré jusqu'au naufrage
J'ai tout cicatrisé
Tu peux mourir, dégage!

Et elle a raccroché

A carta de despedida

Uma carta de Armand!
Ela esboça um sorriso
É quase um fantasma
O que ele tem a dizer a ela?
Uma breve loucura
Vagabunda adúltera
Os tinha reunido
No maior mistério
Restou apenas
Um vago carinho
E alguns almoços
Tingidos de gentileza

Adeus, porque é demais
Eu não tenho mais coragem
Quando você ler estas palavras
Eu já terei partido

Eles eram sobreviventes
De feridas semelhantes
Mas não tinham tentado
Construir sobre a areia
Algumas acrobacias
Em camas de passagem
Quando mãos amigas
Hospedavam suas viagens
Tinham conseguido, apesar de tudo
Esboçar sem borrões
Os contornos um pouco vagos
De uma amável aventura

Adeus, isso dói demais
Onde está minha vida?
Eu não tenho mais ânimo
E nem mais vontade alguma

Houve verões
Houve ausências
Tempo demais passado
Esperando o silêncio
Encontros perdidos
Escorregões, esquivas
Telefonemas truncados
Sempre em alerta
E tudo se desenrolou
Sem mesmo uma ruptura
Deixando para trás
Uma doçura que perdura

Adeus, está decidido
Eu escrevi para minha mãe
Para minha dedicada esposa
E para você, a última

E ele a agradece
Por essa parte de sonho
E por esse clarão
Quando faltava-lhe força
Ela começa a chorar
As lembranças a atacam
Ela revive as conspirações
As risadas, as carícias
Varre tudo até o fundo
Assoa o nariz sem fôlego
Se tranca, se lamenta
Finalmente derrama sua dor

Alô, eu fiquei
Perdi minha viagem
Minha esposa me resgatou
Desculpe, serei obediente

Ah, não! Eu chorei por você
Chorei até o naufrágio
Cicatrizei tudo
Você pode morrer, vá embora!

E ela desligou