Les Dames de Mon Quartier
Les dames de mon quartier
De mon quartier d'orange
Jamais ne se mélangent
Aux familles d'à côté
Sur leur dos, attaché
Un drôle de petit ange
Dort sans qu'on le dérange
Les pieds bien écartés
Elles sont environnées
D'une belle marmaille
Un peu de toutes les tailles
Aux cheveux bien nattés
De leur pas chaloupé
On attendrait qu'elles aillent
Marcher dans les broussailles
Au lieu de ces pavés
Les dames de mon quartier
Quartier de pamplemousse
Elles ont la peau si douce
Qu'on dirait de la soie
Et leur décolleté
Que l'épaule repousse
Parfois nous éclabousse
Quand elles se déploient
Quelques bijoux dorés
Éclairent leur visage
Parfois un tatouage
Met une ombre bleutée
Qu'elles ont rapportée
De leur lointain village
Pour vivre dans des cages
Sans rien à regretter
Les dames de mon quartier
De mon quartier de mangue
Quand elles montrent la langue
On dirait un rosier
Mais brève est leur gaieté
Quand le rire s'étrangle
En silence, elles tanguent
Rejoindre leur clapier
Ignorant les passants
Leurs petits à la traîne
Marchant comme des reines
Et le regard absent
Elles savent que les attend
Semaine après semaine
La chambre déjà pleine
Et le prochain enfant
Les dames de mon quartier
De mon quartier de lune
Je n'en connais aucune
Mais je peux bien rêver
Les avoir rencontrées
Au détour d'une dune
À l'épaule, chacune
Une cruche à porter
Remplie aux sources oubliées
As Damas do Meu Bairro
As damas do meu bairro
Do meu bairro de laranja
Nunca se misturam
Com as famílias ao lado
Em suas costas, amarrado
Um estranho pequeno anjo
Dorme sem ser incomodado
Com os pés bem afastados
Elas estão cercadas
Por uma bela prole
De todas as idades
Com cabelos bem trançados
Com seu passo balançado
Pareceria que elas iriam
Caminhar pelos arbustos
Em vez dessas calçadas
As damas do meu bairro
Bairro de toranja
Elas têm a pele tão macia
Que parece seda
E seus decotes
Que o ombro empurra
Às vezes nos respingam
Quando elas se desdobram
Alguns adornos dourados
Iluminam seus rostos
Às vezes uma tatuagem
Cria uma sombra azulada
Que elas trouxeram
De sua vila distante
Para viver em gaiolas
Sem nada a lamentar
As damas do meu bairro
Do meu bairro de manga
Quando elas mostram a língua
Parece um roseiral
Mas breve é sua alegria
Quando o riso se sufoca
Em silêncio, elas balançam
Voltando para suas tocas
Ignorando os transeuntes
Seus filhos a reboque
Andando como rainhas
E com o olhar distante
Elas sabem que as espera
Semana após semana
O quarto já cheio
E a próxima criança
As damas do meu bairro
Do meu bairro de lua
Eu não conheço nenhuma
Mas posso sonhar
Tê-las encontrado
Na curva de uma duna
Em cada ombro
Uma jarra para carregar
Cheia de fontes esquecidas