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Obrigada, oh, obrigada

Anne Sylvestre

Merci Oh merci

Toi, le grand dépendeur d'andouilles
La terreur du mont Valérien
Ô Don Juan, chef de patrouille
À qui mes yeux ne disaient rien
Et toi, le chéri des cheftaines
Qui portais si bien le bâton
Et brandissais un cœur de laine
Accroché à ton mousqueton

Merci, oh, merci
De n'avoir jamais rien compris
À mes quinze ans timides
Merci, oh, merci
De n' m'avoir jamais rien appris
De m'avoir laissé les mains vides
Libre, libre, libre
De venir jusqu'ici

Vous, les faux dragueurs de banlieue
Qui en faisiez pas tant que ça
Camouflant une frousse bleue
Qu'on vous trébuche dans les bras
Me faisant danser, mal à l'aise
Chacun son tour, bien poliment
Et m'abandonnant sur ma chaise
Dans les chaussures de Maman

Merci, oh, merci
De n'avoir jamais rien compris
À mes vingt ans timides
Merci, oh, merci
De n' m'avoir jamais rien appris
De m'avoir laissé les mains vides
Libre, libre, libre
De venir jusqu'ici

Vous, les amies de tous les âges
Toujours plus belles, mieux coiffées
Grâce à qui même mon visage
Me semblait ennemi fieffé
Et vous qui, plus tard, si gentilles
Parliez doucement chirurgie
Pour ce nez, mon bien de famille
Qui n' m'a jamais fait de vacherie

Merci, oh, merci
De n'avoir jamais rien compris
À mes vingt ans en cage
Merci, oh, merci
De n' m'avoir jamais rien appris
De m'avoir donné cette rage
Libre, libre, libre
De venir jusqu'ici

La vie est une étrange fête
Et je vous remercie vraiment
Car c'est bien vous qui m'avez faite
Vous ne pouviez faire autrement
Il fallait bien que je sois laide
Et bête pour avoir envie
Sans jamais demander votre aide
De me faire une belle vie

Merci, mais merci
Aux rares qui avaient compris
Qu'il valait mieux attendre
Merci, oui, merci
De ne m'avoir jamais rien dit
Et d'avoir bien voulu comprendre
Que je devais, libre
Arriver jusqu'ici
Libre, libre, libre
Arriver jusqu'ici

Obrigada, oh, obrigada

Você, o grande dependurador de bobagens
O terror do monte Valérien
Oh Don Juan, chefe de patrulha
A quem meus olhos não diziam nada
E você, o queridinho das chefes
Que carregava tão bem o bastão
E empunhava um coração de lã
Preso ao seu mosquetão

Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter entendido nada
Dos meus quinze anos tímidos
Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter me ensinado nada
Por ter me deixado com as mãos vazias
Livre, livre, livre
Para chegar até aqui

Vocês, os falsos paqueradores de subúrbio
Que não faziam tanto assim
Escondendo um medo azul
Para que eu caísse em seus braços
Me fazendo dançar, desconfortável
Cada um por sua vez, educadamente
E me abandonando na minha cadeira
Nos sapatos da mamãe

Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter entendido nada
Dos meus vinte anos tímidos
Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter me ensinado nada
Por ter me deixado com as mãos vazias
Livre, livre, livre
Para chegar até aqui

Vocês, amigas de todas as idades
Sempre mais bonitas, melhor arrumadas
Graças a quem até mesmo o meu rosto
Me parecia um inimigo ardiloso
E vocês que, mais tarde, tão gentis
Falavam suavemente de cirurgia
Para esse nariz, meu bem de família
Que nunca me fez nenhuma maldade

Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter entendido nada
Dos meus vinte anos enjaulados
Obrigada, oh, obrigada
Por nunca ter me ensinado nada
Por ter me dado essa raiva
Livre, livre, livre
Para chegar até aqui

A vida é uma festa estranha
E eu agradeço de verdade a vocês
Porque foram vocês que me fizeram
Vocês não poderiam ter feito diferente
Eu tinha que ser feia
E burra para ter vontade
Sem nunca pedir a sua ajuda
De fazer uma vida bonita para mim

Obrigada, mas obrigada
Aos poucos que entenderam
Que era melhor esperar
Obrigada, sim, obrigada
Por nunca terem me dito nada
E por terem compreendido
Que eu deveria, livre
Chegar até aqui
Livre, livre, livre
Chegar até aqui