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A Lei de Newton

Tabaré Cardozo

La Ley de Newton

He visto una ciudad que es una morgue
De cristos con monedas en sus bocas
Que esperan con sus números sin nombre
Una resurrección que no les toca

Un astillero gris de fabricantes
De barcos encallados en rincones
Planificando formas elegantes
De no dejar volar a los aviones

Nadie jamás
Despega nunca de este barrio
Porque la ley
La ley de Newton los aplana

Nadie jamás
Se puede ir del vecindario
Hasta que al fin
Se pudran todas sus manzanas

Auguran y predican el fracaso
Y tienen su alegría en cautiverio
Esperan que se mueran los payasos
Así van a reírse al cementerio

Bajando farolitos con hondazos
Tirando las cometas en las vías
Comiéndose entre sí piernas y brazos
En una sacrosanta eucaristía

Nadie jamás
Despega nunca de este barrio
Porque la ley
La ley de Newton los aplana

Nadie jamás
Se puede ir del vecindario
Hasta que al fin
Se pudran todas sus manzanas

Nadie jamás
Despega nunca de este barrio
Porque la ley
La ley de Newton los aplana

Nadie jamás
Se puede ir del vecindario
Hasta que al fin
Se pudran todas sus manzanas
Nadie jamás

A Lei de Newton

Eu vi uma cidade que é um cemitério
De cristos com moedas na boca
Que esperam com seus números sem nome
Uma ressurreição que nunca chega

Um estaleiro cinza de fabricantes
De barcos encalhados em cantos
Planejando formas elegantes
De não deixar os aviões decolar

Ninguém nunca
Decola desse bairro
Porque a lei
A lei de Newton os achata

Ninguém nunca
Consegue sair do bairro
Até que enfim
Apodreçam todas as suas maçãs

Profetizam e pregam o fracasso
E têm sua alegria em cativeiro
Esperam que os palhaços morram
Assim vão rir no cemitério

Baixando lanternas com pancadas
Derrubando as pipas nas vias
Comendo entre si pernas e braços
Em uma sacrossanta eucaristia

Ninguém nunca
Decola desse bairro
Porque a lei
A lei de Newton os achata

Ninguém nunca
Consegue sair do bairro
Até que enfim
Apodreçam todas as suas maçãs

Ninguém nunca
Decola desse bairro
Porque a lei
A lei de Newton os achata

Ninguém nunca
Consegue sair do bairro
Até que enfim
Apodreçam todas as suas maçãs
Ninguém nunca

Composição: Tabaré Cardozo / Emiliano Brancciari