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Nos Vagões de Primeira Classe

Tachan Henri

Dans Les Wagons De Première Classe

Isolés de la populace
Par un mur en duralumin,
Les privilégiés de première classe,
Sur le cuir, posent leur popotin,

Tout constipés, derrière la glace,
Leur beau ticket vert à la main,
Pour quelques centimes de surtaxe,
Ils méprisent le Genre Humain...

Dans les wagons de première classe
Du métropo-po-politain,
Y a pas de cris, y a pas de crasse,
Pas de pinces-culs prolétariens!

Il y a là, quelques douairières,
Entre deux "toasts", entre deux thés,
Qui, le dimanche, s'offrent une croisière,
De Lamarck à la Trinité,

Il y a là, quelques rombières,
Talons pointus, envisonnées,
Cils en carton et cœur de pierre,
Et les tétons amidonnés...

Dans les wagons de première classe
Du métropo-po-politain,
Y a pas de cris, y a pas de crasse,
Pas de pinces-culs prolétariens!

Dans ces fourgons calorifiques,
J'allais oublier ces Dupont,
Qui, comme titre honorifique,
Pour eux tous seuls, s'payent un wagon!

D'autres reçoivent la rosette,
La croix des braves au Panthéon:
C'est à Notre-Dame de Lorette,
Qu'eux, ils méritent de la Nation!

Dans les wagons de première classe
Du métropo-po-politain,
Y a pas de cris, y a pas de crasse,
Pas de pinces-culs prolétariens!

Oui, c'est ainsi que nous vivons,
Chacun de nous numéroté,
Depuis les rois et les wagons,
Jusqu'à la Sainte-Trinité,

Alors, Bon Dieu! Ne me parlez
Plus de l'égalité des races,
Même le métro nous rit au nez,
De Sébasto à Montparnasse!

Dans les wagons de première classe
Du métropo-po-politain,
Y a pas de cris, y a pas de crasse,
Pas de pinces-culs prolétariens!

Nos Vagões de Primeira Classe

Isolados da população
Por um muro de duralumínio,
Os privilegiados de primeira classe,
No couro, colocam seu traseiro,

Todo travado, atrás do vidro,
Seu belo bilhete verde na mão,
Por alguns centavos de taxa extra,
Desprezam a Humanidade...

Nos vagões de primeira classe
Do metrô-político,
Não há gritos, não há sujeira,
Não há proletários de merda!

Tem lá, algumas madames,
Entre dois "toasts", entre dois chás,
Que, no domingo, se dão uma cruzeira,
De Lamarck à Trindade,

Tem lá, algumas patricinhas,
Saltos altos, bem arrumadas,
Cílios de papel e coração de pedra,
E os peitos empinados...

Nos vagões de primeira classe
Do metrô-político,
Não há gritos, não há sujeira,
Não há proletários de merda!

Nesses vagões aquecidos,
Eu ia esquecer desses Dupont,
Que, como título honorário,
Para eles mesmos, compram um vagão!

Outros recebem a medalha,
A cruz dos bravos no Panteão:
É em Notre-Dame de Lorette,
Que eles, merecem da Nação!

Nos vagões de primeira classe
Do metrô-político,
Não há gritos, não há sujeira,
Não há proletários de merda!

Sim, é assim que vivemos,
Cada um de nós numerado,
Desde os reis e os vagões,
Até a Santa Trindade,

Então, Meu Deus! Não me fale
Mais da igualdade das raças,
Até o metrô ri da nossa cara,
De Sébasto a Montparnasse!

Nos vagões de primeira classe
Do metrô-político,
Não há gritos, não há sujeira,
Não há proletários de merda!

Composição: