La Godasse
Bon sang! J'ai fait du pied
A des tonnes de souliers
Sous toutes les tables des salons d'thé,
J'ai frotté mes arpions
Aux mignons bottillons
D'une cordonnière rue Mabillon,
M'suis fait "cuirs et crépins"
Pour un petit patin,
Quatre bottines, trois escarpins...
Cependant sur ma route
Je vais à cloche pied
Je vais à cloche-amour
Je vais à cloche-soulier
Et je cherche une godasse,
Ma godasse jumelle,
Une pas forcément belle,
Une pas forcément d'classe,
Une godasse de candeur,
Une que j'étrennerai,
Une que j'enlacerai
De tout mon chausse-cœur!
Saperlipopette, il
Me souvient d'une fragile
Sandale couleur de bois-des-îles,
Elle criait : "Aimons-nous,
Frottons nos caoutchoucs!
Mon mari est chaussette-à-clous!"
Mais mon rêve se trotte
Car ce pied de linotte
M'a trompé pour une paire de bottes...
Depuis lors sur ma route
Je vais la jambe croche,
Un pied dans mon désert,
Un pied dans ma galoche...
Et je cherche une godasse,
Ma godasse jumelle,
Une pas forcément belle,
Une pas forcément d'classe,
Une godasse de candeur,
Une que j'étrennerai,
Une que j'enlacerai
De tout mon chausse-cœur!
De bottes en godillots,
De spartiates en croqu'nots,
Partout j'ai traîné mon pied-bot,
J'ai passé des hivers
Tirant la patte vers
Mon unique pantoufle de vair,
Petit Poucet boiteux,
Toujours je n'avais d'yeux
Que pour ma botte de sept lieues...
Et enfin sur ma route,
Dans une pauvre chambre,
Devant un feu de bois,
En plein cœur de décembre...
J'ai trouvé ma godasse,
Une godasse oubliée
Par des millions de pieds
Qui passent, qui passent,
J'ai trouvé ma godasse,
Une vieille grolle usée,
Une pompe de musée,
Une pauvre carcasse...
J'ai trouvé, j'ai trouvé
La godasse sentinelle
De mes jeunes années,
La godasse éternelle,
J'ai trouvé, j'ai trouvé
La godasse la plus belle
Devant la cheminée:
Mon sabot de Noël!
A Botinha
Poxa! Eu fiz um pé de vento
Em toneladas de sapatos
Debaixo de todas as mesas dos salões de chá,
Eu esfreguei meus pés
Nos mignonzinhos botins
De uma sapateira na rua Mabillon,
Me vesti de "couro e solado"
Pra um sapatinho,
Quatro botinhas, três escarpins...
Mas no meu caminho
Eu vou de pé torto
Eu vou de amor torto
Eu vou de sapato torto
E eu procuro uma botinha,
Minha botinha gêmea,
Uma que não precisa ser bonita,
Uma que não precisa ser chique,
Uma botinha de inocência,
Uma que eu vou estrear,
Uma que eu vou abraçar
Com todo meu coração de sapato!
Caramba, eu
Me lembro de uma frágil
Sandália cor de madeira das ilhas,
Ela gritava: "Amemo-nos,
Esfreguemos nossos borrachões!
Meu marido é meia com pregos!"
Mas meu sonho se foi
Porque esse pé de passarinho
Me enganou por um par de botas...
Desde então no meu caminho
Eu vou com a perna torta,
Um pé no meu deserto,
Um pé na minha galocha...
E eu procuro uma botinha,
Minha botinha gêmea,
Uma que não precisa ser bonita,
Uma que não precisa ser chique,
Uma botinha de inocência,
Uma que eu vou estrear,
Uma que eu vou abraçar
Com todo meu coração de sapato!
De botas em galochas,
De sandálias em crocs,
Por toda parte eu arrastei meu pé torto,
Passei invernos
Puxando a pata pra
Minha única pantufa de pelúcia,
Pequeno Polegar manco,
Sempre só tinha olhos
Pra minha bota de sete léguas...
E finalmente no meu caminho,
Em um quarto pobre,
Diante de uma lareira,
No coração de dezembro...
Eu encontrei minha botinha,
Uma botinha esquecida
Por milhões de pés
Que passam, que passam,
Eu encontrei minha botinha,
Uma velha grolle desgastada,
Uma bomba de museu,
Uma pobre carcaça...
Eu encontrei, eu encontrei
A botinha sentinela
Dos meus jovens anos,
A botinha eterna,
Eu encontrei, eu encontrei
A botinha mais linda
Diante da lareira:
Meu tamanco de Natal!