Mille Poètes
Mille poètes ont rêvé mille jours,
Chantant, l'été, les fontaines jolies,
Les soirées d'août, les aurore pâlies,
Les nuits d'étoiles plus chaudes que les jours...
Mille poètes ont rêvé mille jours,
Pleurant, l'automne, au fond des forêts rousses,
Aux sanglots sourds de la pluie sur la mousse,
A la chute des feuilles, à la chute des jours...
Mille poètes ont rêvé mille jours,
Tressant, l'hiver, les tapis blancs des cours,
Sculptant sans cesse la neige blême de leurs doigts gourds
En statues immortelles au frileux abat-jour...
Mille poètes ont rêvé si longtemps
De printemps,
Mille poètes ont rêvé mille étés
D'éternité,
Mille poètes ont rêvé mille années...
Et tu es née...
Mil Poetas
Mil poetas sonharam mil dias,
Cantando, no verão, as fontes lindas,
As noites de agosto, as auroras pálidas,
As noites estreladas mais quentes que os dias...
Mil poetas sonharam mil dias,
Chorando, no outono, no fundo das florestas vermelhas,
Com os soluços surdos da chuva na musgo,
Na queda das folhas, na queda dos dias...
Mil poetas sonharam mil dias,
Trançando, no inverno, os tapetes brancos dos pátios,
Esculpindo sem parar a neve pálida com seus dedos dormentes
Em estátuas imortais sob a lâmpada fria...
Mil poetas sonharam tanto tempo
Com a primavera,
Mil poetas sonharam mil verões
De eternidade,
Mil poetas sonharam mil anos...
E você nasceu...