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Nunca Voltamos a Ser Crianças

Tachan Henri

On N'retombe Jamais En Enfance

On n'retombe jamais en enfance,
L'enfance, on l'a jamais quittée,
Ces vieux, qui vers l'hiver s'avancent,
Ont encore un pied dans l'été,
L'été de leurs grandes vacances,
Où bourdonnent les champs de blé,
Où les longs cheveux de Laurence
S'envolaient au vent de juillet...

On n'retombe jamais en enfance,
L'enfance, je l'ai jamais quittée,
Mon vieil ours en peluche danse
Sous vos lampions d'absurdité,
Et tous mes chevaux de manège
Blancs, à la crinière argentée,
Galopent encore dans la neige
De mes noëls décapités...

On n'retombe jamais en enfance,
Ma douce, ma tiède, mon bébé,
Tous deux blottis dans le silence
De quelque berceau dérobé,
On se tête et on se balance,
Comme deux jumeaux nouveaux-nés,
Dans le jardinet de l'enfance,

Où on s'ra toujours jardiniers.

Nunca Voltamos a Ser Crianças

Nunca voltamos a ser crianças,
A infância, a gente nunca deixou,
Esses velhos, que vão se aproximando do inverno,
Ainda têm um pé no verão,
O verão das suas grandes férias,
Onde zumbem os campos de trigo,
Onde os longos cabelos da Laurence
Voavam ao vento de julho...

Nunca voltamos a ser crianças,
A infância, eu nunca deixei,
Meu velho urso de pelúcia dança
Sob suas lanternas de absurdos,
E todos os meus cavalos de carrossel
Brancos, com a crina prateada,
Ainda galopam na neve
Dos meus natais decapitados...

Nunca voltamos a ser crianças,
Minha doce, minha morna, meu bebê,
Nós dois aconchegados no silêncio
De algum berço escondido,
A gente se embala e se balança,
Como dois gêmeos recém-nascidos,
No jardinzinho da infância,

Onde sempre seremos jardineiros.

Composição: