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Oi, Doutor

Tachan Henri

Salut, Doc

Salut, Doc, je passais dans l'quartier par hasard,
J'ai eu comme une envie de te faire la parlotte,
Bien que je sois pudique et pas tell'ment bavard,
Envie d'vider mon sac, d'arrêter ma roulotte...

Entre nous nos concerts c'était un peu Babel,
Les voisins, tous les soirs, écoutaient nos classiques:
Je criais en "Pop art", tu gueulais en Pleyel,
Et sans, au grand jamais, user not're tourne-disques!

Salut, Doc, des toubibs comme toi on n'en fait plus,
Qui soignent les miséreux, les chiens et les truands,
Ta clientèle était de l'Armée du Salut:
Les malades du coeur étaient tous tes clients...

Et quand ils défilaient prendre leur engueulade
Et sortaient de chez toi rajeunis et contents,
Les pharmaciens du coin en étaient tous malades
De n'pas pouvoir fourguer leurs sales médicaments!

Salut, Doc, vieux rêveur, anarchiste, vieille bête:
Soixante berges sur le crâne mais dans le coeux 20 ans,
C'est vrai qu'ses cheveux blancs, on les a dans la tête
Et pas sur la caf'tière comme le croient les gens...

Sur des cartes de rêve tu refaisais le Monde,
Convoquais tes ministres, les limogeais céans,
Et, dictateur pour rire, broyais des mappemondes
Mais pleurais en cachette au violon d'un gitan !

Salut, Doc, je passais dans l'quartier par hasard,
Ne m'en veux pas, toubib, de cette consultation,
Mais bien qu'je sois pudique et pas tell'ment bavard,
Bon Dieu, j'arrêt'rais pas notre conversation...

Mais salut, Doc, il est tard, je te laisse dormir,
Et ta nuit sera longue et calme, tout là-bas,
Tu sais, pourtant je t'aime, sans jamais te le dire,
Le cimetière est noir, dors bien, dors bien...

Oi, Doutor

Oi, Doutor, eu passei pelo bairro por acaso,
Tive uma vontade de trocar uma ideia com você,
Embora eu seja tímido e não tão falador,
Queria desabafar, parar com essa vida de andarilho...

Entre nós, nossos shows eram meio Babel,
Os vizinhos, todas as noites, ouviam nossos clássicos:
Eu gritava em "Pop art", você berrava em Pleyel,
E sem, de jeito nenhum, usar nosso toca-discos!

Oi, Doutor, médicos como você não existem mais,
Que cuidam dos pobres, dos cães e dos marginais,
Sua clientela era da Cruz Vermelha:
Os doentes do coração eram todos seus clientes...

E quando eles vinham pegar suas broncas
E saíam de você rejuvenescidos e felizes,
Os farmacêuticos da esquina ficavam todos doidos
Por não poderem empurrar seus remédios ruins!

Oi, Doutor, velho sonhador, anarquista, velho lobo:
Sessenta anos na cara, mas no coração, vinte,
É verdade que os cabelos brancos, a gente tem na cabeça
E não na cafeteira, como pensam os outros...

Em cartas de sonho, você refazia o Mundo,
Convocava seus ministros, os demitia na hora,
E, ditador de brincadeira, esmagava os globos
Mas chorava escondido ao som do violão de um cigano!

Oi, Doutor, eu passei pelo bairro por acaso,
Não me leve a mal, doutor, por essa consulta,
Mas embora eu seja tímido e não tão falador,
Meu Deus, eu não pararia nossa conversa...

Mas oi, Doutor, está tarde, vou te deixar dormir,
E sua noite será longa e calma, lá no fundo,
Você sabe, no entanto, que eu te amo, sem nunca dizer,
O cemitério é escuro, durma bem, durma bem...

Composição: