Euthanasie
Trop longtemps que je suis là, cloué sur ma chaise électrique,
A attendre mon sort, et jour et nuit défier la mort !
Mon corridor de la mort, n'as pas de mirador,
Ni de justice, de procès ou de prison,
Je suis une victime en détention.
Et si je décidais d'en finir, qui de vous connaît le pire,
Pour se permettre de me juger, me donner, me refuser le droit d'être euthanasié,
Qu'il vienne me remplacer dans cette putain de peau de condamné.
Je tenais juste à vous dire, quelques mots avant de partir,
Avant d'être incarcéré, de sombrer à jamais.
Je ne crois pas l'avoir mérité, mais qu'importe, ce que je sais,
C'est que je suis le seul à pouvoir décider d'attendre ou de sauter,
De me taire, de me taire ou de crier.
Vous les acharnés du traitement thérapeutique,
Oui, vous les inconditionnels de l'overdose chimique,
Vos unités de soin ne servent qu'à masquer,
L'incompétence de vos autorités.
Sur le linceul de ma mort, j'observe mon corps qui s'endort,
Toute cette merde qui suintent de mes pores, ce goutte à goutte qu'on m'incorpore,
Je deviens un véritable drugstore…et mes idées peu à peu s'évaporent…
Cette chambre devient le décor, le petit théâtre de ma mort,
Tous ces anges en blouses blanches élaborent,
Note par note le requiem de mon sort.
Dans un dernier souffle je crie…
Eutanásia
Tô aqui há muito tempo, preso na minha cadeira elétrica,
Esperando meu destino, desafiando a morte dia e noite!
Meu corredor da morte não tem vigia,
Nem justiça, nem julgamento ou prisão,
Sou uma vítima em detenção.
E se eu decidisse acabar com tudo, quem de vocês sabe o pior,
Pra se achar no direito de me julgar, me dar ou me negar o direito de ser eutanasiado,
Que venha ocupar meu lugar nessa porra de pele de condenado.
Só queria dizer algumas palavras antes de ir,
Antes de ser trancafiado, de afundar pra sempre.
Não acho que mereci isso, mas tanto faz, o que sei,
É que sou o único que pode decidir esperar ou pular,
Ficar em silêncio, calar ou gritar.
Vocês, os fanáticos pelo tratamento terapêutico,
Sim, vocês, os incondicionais da overdose química,
Suas unidades de cuidado só servem pra esconder,
A incompetência das suas autoridades.
Sobre o lençol da minha morte, observo meu corpo que adormece,
Toda essa merda que escorre dos meus poros, esse gotejar que me incorporam,
Tô virando uma verdadeira farmácia… e minhas ideias aos poucos se evaporam…
Esse quarto se torna o cenário, o pequeno teatro da minha morte,
Todos esses anjos de jaleco branco elaboram,
Nota por nota o réquiem do meu destino.
Num último suspiro eu grito…