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FAÍSCA

Tatsuya Kitani

火種 (HIDANE)

赤々と燃ゆ灯火に
akaaka to moyu tomoshibi ni
絶えず絶えず、夜半の嵐荒ぶ
taezu taezu, yohan no arashi arabu

胸の火床に設えた
mune no hidoko ni soeta
鉄を肥やす鞴の如く
tetsu wo koyasu tabune no gotoku

猫も杓子も
neko mo shakushi mo
はじめの火をいつしか忘れてしまう
hajime no hi wo itsushika wasurete shimau

今や頭上の、赫灼たる日の輪の
imaya zujou no, kakushaku taru hi no wa no
昇り来たる方を見よ!
noborikitaru kata wo mi yo!

花篝、咲きを照らし
hanakagari, saki wo terashi
行く末はさてもさても暗く朧なれど
iku sue wa sate mo sate mo kuraku oborona redo
ひたに見つめるだけ
hitani mitsumeru dake

ゆらゆら踊る火種、燃やせ、燃やせ!
yurayura odoru hidane, moyase, moyase!
この生の千秋楽まで
konosai no senshuuraku made

ざらざら粘る摩擦の只中で
zarazara neru masatsu no tada naka de
向かい風が吹くのを強く予感していた
mukaikaze ga fuku no wo tsuyoku yokan shite ita

黒く炭化した感情の内側で燻っている
kuroku tankashita kanjou no uchigawa de kunatte iru
この熱に息を吹きこんでくれ
kono netsu ni iki wo fukikonde kure

遠い先の先のその先で燃え尽きるまで
toi saki no saki no sono saki de moetsukiru made
踊る火種、燃やせ!
odoru hidane, moyase!

青々と輝るその瞳
aoao to kagayaku sono hitomi
されどされど夢は遠く霞む
saredo saredo yume wa tooku kasumu

魑魅魍魎が犇めきたち
chimimouryou ga himemekitachi
明日も知れぬ薄ら氷の上
ashita mo shirenu usura koori no ue

どの選択も伸るか反るか
dono sentaku mo noboru ka soru ka
答えは神のみぞ知る
kotae wa kami nomi zo shiru

咲くも咲かずも、終わりは程遠い
saku mo sakazu mo, owari wa hodotoori
果てるまで続く
hateru made tsuzuku

ちらちら揺らめく風前の灯火
chirachira yurameku kazemae no tomoshibi
今に果てそうにふらふらり
ima ni hatesou ni furafurari

ここから建てる塔のはじめの杭
koko kara tateru tou no hajime no kui
明日が重なっていく基
ashita ga kasanatte iku moto

ゆらゆら踊る火種、燃やせ、燃やせ!
yurayura odoru hidane, moyase, moyase!
この生の千秋楽まで
konosai no senshuuraku made

ざらざら粘る摩擦の只中で
zarazara neru masatsu no tada naka de
向かい風が吹くのを強く予感していた
mukaikaze ga fuku no wo tsuyoku yokan shite ita

黒く炭化した感情の内側で燻っている
kuroku tankashita kanjou no uchigawa de kunatte iru
この熱に息を吹きこんでくれ
kono netsu ni iki wo fukikonde kure

遠い先の先のその先で燃え尽きるまで
toi saki no saki no sono saki de moetsukiru made
踊る火種、燃やせ!
odoru hidane, moyase!

FAÍSCA

À chama que arde intensamente em vermelho vivo
Sem cessar, a tempestade da meia-noite se enfurece

Preparado na fornalha dentro do meu peito
Como um fole que alimenta e fortalece o ferro

Todo mundo, sem exceção
Acaba esquecendo, em algum momento, o fogo inicial

Agora, no alto sobre nossas cabeças, o círculo do Sol incandescente
Olhem para a direção de onde ele está surgindo!

Fogueiras de flores iluminam o florescer
O futuro, por mais que seja sombrio e enevoado
Eu apenas continuo olhando fixamente

Faísca que dança e oscila, queime, queime!
Até o último ato desta vida

No meio de uma fricção áspera e insistente
Eu sentia com força que um vento contrário iria soprar

Dentro de sentimentos carbonizados, algo ainda arde em brasa e fumaça
Dê fôlego a esse calor

Até que eu me consuma completamente, muito além de qualquer futuro distante
Faísca dançante, queime!

Aqueles olhos que brilham em um azul intenso e vivo
E ainda assim, o sonho se desfaz ao longe em névoa

Espíritos e monstros se agitam em multidão
Sobre um gelo frágil, onde nem o amanhã é garantido

Toda escolha é um tudo ou nada
Apenas Deus sabe a resposta

Floresça ou não, o fim ainda está distante
Continua até se esgotar completamente

Uma chama frágil que tremula, à beira de se apagar
Balançando como se fosse cair a qualquer momento

A primeira estaca da torre que será construída a partir daqui
A base onde os amanhãs vão se empilhando

Faísca que dança e oscila, queime, queime!
Até o último ato desta vida

No meio de uma fricção áspera e insistente
Eu sentia com força que um vento contrário iria soprar

Dentro de sentimentos carbonizados, algo ainda arde em brasa e fumaça
Dê fôlego a esse calor

Até que eu me consuma completamente, muito além de qualquer futuro distante
Faísca dançante, queime!