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Castigo Dobrado

Tavares e Zé negrão

Letra

    No tempo da escravidão
    O fazendeiro malvado
    Tinha na sua fazenda
    Muitos presto escravizado
    Trabalhando na mangueira
    Na dura lida do gado
    Nos serviços do terreiro
    Nas lavouras de roçado
    Era um bando de animais
    Nada menos, nada mais
    Por ele considerado

    Morava numa senzala
    E dormia pelo chão
    Eram tratados no cocho
    Como era as criação
    Uma preta cozinheira
    Que morava no porão
    Apanhava todo dia
    Da sinhá e do patrão
    Era uma escrava gestante
    Judiada morreu antes
    De no filho pôr bênção

    Depois que a preta morreu
    Disse a cruel criatura
    Com ela vou estercar
    Minhas terras de cultura
    Enterre lá no quintal
    Num lugar de terra dura
    E plante um pé de laranja
    Em cima da sepultura
    Dessa nova laranjeira
    Quero provar a primeira
    Quando estiver madura

    Aquela planta cresceu
    Muitos frutos produziu
    Quando estava madura
    Uma laranja pediu
    Com orgulho descascou
    E na boca comprimiu
    E da fruta em vez de suco
    Muito sangue ele engoliu
    Querendo pedir perdão
    Ajoelhou-se ali no chão
    Mas a fala não saiu

    E dali se levantou
    Numa grande tremedeira
    Lá pra sede da fazenda
    Ele saiu na carreira
    Sem comer e sem dormir
    Passou a semana inteira
    O silêncio que havia
    Transformou-se em barulheira
    Ele foi bem castigado
    Morreu louco enforcado
    Num galho da laranjeira


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