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Letra

    Alço a perna na torena
    E mando abrir a porteira
    O meu mango sobe e desce
    Como pau de lavadeira
    Reiúno tem que ser tigre
    Para me sacar dos meus cacos
    Quando a espora deixa guejas
    Da minha marca no sovaco

    Os meus cravos bem afiados
    Sacam longas da paleta
    Com o beiçudo campo a fora
    Bufando e dando gambeta
    Vem com a vida segura nos
    Tentos do cabrestilho
    E à virgem que me acompanha
    Na cabeça do lombilho

    No que cruzou do açude já
    Tinha pasto nas ventas
    Com os olhos rubrus de sangue
    E adivinhando tormenta
    Mirou a costa do mato e
    Enveredou para o passo
    Se esquivando das prateadas
    Com patada e manotaço

    Quando me apeio no rancho
    Depois no causo passado
    O potro outrora ventena
    Vem pastar no meu costado
    Parece entender que a dona
    Faz parte da dura lida
    E ensina homem e cavalo
    As duras penas da vida


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