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Cresceremos

Terceto Ñamandú

Creceremos

No lo van a impedir la golondrinas
Ni ventanales rotos, ni lunas llenas
Ni todos los andamios, ni las hormigas
Ni flores, ni herejías, ni colmeneras

No lo van a impedir los corre mundos
Ni los soldados, ni las primaveras
Ni aun negándolo el viento de muro en muro
Ni aun negándolo, al fin, donde se crea

No lo van a impedir ni andén, ni esquina
Ni el temor de la virgen si obscurece
Ni el humo de las calles y llovizna
Ni el canto del verano que anochece

No lo van ha impedir ni el falso amigo
Ni el que alimenta el cepo y la tortura
Ni el pequeño ladrón de mano fría
Ni el terrible don Juan de cara dura

No lo van a impedir ni moralistas
Ni el indiscreto encanto del embrujo
Ni ausentes funcionarios, ni arribistas
Ni aspirantes al hacha del verdugo

No lo van s impedir las bandoleras
Ni el letrado galán de poco vuelo
Ni inquisidores, ni aguafiestas
Ni eternos sembradores de veneno

No lo van a impedir los enemigos
Ni atentos intimistas alabados
Ni burócratas tiernos, ni podridos
Ni herederos, ni apóstoles errados

No lo van a impedir del valle al cielo
Ni reyes del honor, ni periodistas
Ni antiguos comediantes, ni embusteros
Ni estudiantes de leyes, ni alquimistas

No lo van a impedir los generales
Ni adorables doncellas pervertidas
Ni apelables procesos judiciales
Ni narcotraficantes ni homicidas

No lo van a impedir ni prohibidos
Ni novios convencidos y hechiceros
No lo van a impedir las soledades
A pesar del otoño creceremos

Cresceremos

Não vão impedir as andorinhas
Nem janelas quebradas, nem luas cheias
Nem todos os andaimes, nem as formigas
Nem flores, nem heresias, nem colmeias

Não vão impedir os corre-mundos
Nem os soldados, nem as primaveras
Nem mesmo negando o vento de muro em muro
Nem mesmo negando, no fim, onde se cria

Não vão impedir nem o ponto de ônibus, nem a esquina
Nem o medo da virgem se escurecer
Nem a fumaça das ruas e a garoa
Nem o canto do verão que anoitece

Não vão impedir nem o falso amigo
Nem quem alimenta o cepo e a tortura
Nem o pequeno ladrão de mão fria
Nem o terrível dom Juan de cara de pau

Não vão impedir nem os moralistas
Nem o encanto indiscreto do feitiço
Nem funcionários ausentes, nem arrivistas
Nem aspirantes à machadada do carrasco

Não vão impedir as bandoleiras
Nem o advogado galã de pouco valor
Nem inquisidores, nem estraga-prazeres
Nem eternos semeadores de veneno

Não vão impedir os inimigos
Nem os intimistas atentos e elogiados
Nem burocratas bonzinhos, nem podres
Nem herdeiros, nem apóstolos errados

Não vão impedir do vale ao céu
Nem reis da honra, nem jornalistas
Nem antigos comediantes, nem mentirosos
Nem estudantes de direito, nem alquimistas

Não vão impedir os generais
Nem adoráveis donzelas pervertidas
Nem processos judiciais apeláveis
Nem narcotraficantes, nem homicidas

Não vão impedir nem os proibidos
Nem namorados convencidos e feiticeiros
Não vão impedir as solidões
Apesar do outono, cresceremos

Composição: Amaury Pérez