395px

Sua Mãe Espera o Circo

Terramare

Tua Madre Aspetta Il Circo

Avevo vent'anni e un destino segnato,
mano callosa, contadina sposa.

Avevo vent'anni e un vestito comprato,
colonia di rosa, capelli di mimosa.
Fuori soltanto una splendida estate,
notte di grilli, il circo, le fate.

Aveva vent'anni e un curioso passato,
figlio del vento, chincaglieria d'argento.
Aveva vent'anni, già il volto segnato,
pista e talento, turgido portento.
Fuori l'odore di gomma e segatura,
un bacio, un invito, la mia paura.

Tuo padre per gioco l'ho amato davvero
nel piccolo letto di quella roulotte.

Tuo padre quel giorno è stato sincero
nell'umida pancia di quella roulotte.

Avevo vent'anni e un segreto crescente,
paese carogna, la mia vergogna.
Avevo vent'anni e tu nel mio ventre,
piccola castagna nell'humus di montagna.
Fuori soltanto un'assenza inumana,
la chiesa, il mercato, la tramontana.

Saranno altre donne ad amarlo davvero
nel piccolo letto di quella roulotte.
Saranno altre donne e sarà sincero
nell'umida pancia di quella roulotte.

Tuo padre per gioco l'ho amato davvero
nel piccolo letto di quella roulotte.
Tuo padre quel giorno è stato sincero
nell'umida pancia di quella roulotte.

Ho già ventun'anni, è già un'altra estate,
il tuo nome è Mirko ed io aspetto il circo.
Già ventun'anni, è torrida estate
se torna, Mirko, ti porterò...

Sua Mãe Espera o Circo

Eu tinha vinte anos e um destino traçado,
mano calejada, esposa de um camponês.

Eu tinha vinte anos e um vestido comprado,
colônia de rosa, cabelo de mimosa.
Fora só uma linda verão,
noite de grilos, o circo, as fadas.

Ele tinha vinte anos e um passado curioso,
filho do vento, tralha de prata.
Ele tinha vinte anos, já o rosto marcado,
pista e talento, um grande espetáculo.
Fora o cheiro de borracha e serragem,
um beijo, um convite, o meu medo.

Teu pai, por brincadeira, eu amei de verdade
naquela caminha daquela caravana.

Teu pai, naquele dia, foi sincero
na barriga úmida daquela caravana.

Eu tinha vinte anos e um segredo crescente,
país de safados, a minha vergonha.
Eu tinha vinte anos e você no meu ventre,
pequena castanha no húmus da montanha.
Fora só uma ausência desumana,
a igreja, o mercado, o vento norte.

Serão outras mulheres a amá-lo de verdade
naquela caminha daquela caravana.
Serão outras mulheres e será sincero
na barriga úmida daquela caravana.

Teu pai, por brincadeira, eu amei de verdade
naquela caminha daquela caravana.
Teu pai, naquele dia, foi sincero
na barriga úmida daquela caravana.

Já tenho vinte e um anos, é outro verão,
teu nome é Mirko e eu espero o circo.
Já tenho vinte e um anos, é um verão escaldante
se voltar, Mirko, eu te levarei...

Composição: