395px

O Fiddler Louco

Les Têtes Raides

The Mad Fiddler

Not from the northern road,
Not from the southern way,
First his wild music flowed
Into the village that day.

He suddenly was in the lane,
The people came out to hear,
He suddenly went, and in vain
Their hopes wished him to appear.

His music strange did fret
Each heart to wish 't was free.
It was not a melody, yet
It was not no melody.

Somewhere far away,
Somewhere far outside
Being forced to live, they
Felt this tune replied.

Replied to that longing
All have in their breasts,
The lost sense belonging
To forgotten quests.

The happy wife now knew
That she had married ill,
The glad fond lover grew
Weary of loving still,

The maid and boy felt glad
That they had dreaming only,
The lone hearts that were sad
Felt somewhere less lonely.

In each soul woke the flower
Whose touch leaves earthless dust,
The soul's husband's first hour,
The thing completing us,

The shadow that comes to bless
From kissed depths unexpressed,
The luminous restlessness
That is better than rest.

As he came, he went.
They felt him but half-be.
Then he was quietly blent
With silence and memory.

Sleep left again their laughter,
They tranced hope ceased to last
And but a small time after
They knew not he had passed.

Yet when the sorrow of living,
Because life is not willed,
Comes back in dreams' hours, giving
A sense of life being chilled

Suddenly each remembers.
It glows life a coming moon
On where their dream-life embers.
The mad fiddler's tune.

O Fiddler Louco

Não veio pela estrada do norte,
Não veio pelo caminho do sul,
Primeiro sua música selvagem fluiu
Para a vila naquele dia.

Ele de repente apareceu na rua,
O povo saiu pra ouvir,
Ele de repente foi embora, e em vão
Suas esperanças desejavam que ele voltasse.

Sua música estranha inquietava
Cada coração que desejava ser livre.
Não era uma melodia, ainda assim
Não era nenhuma melodia.

Em algum lugar longe,
Em algum lugar distante,
Forçados a viver, eles
Sentiram essa melodia responder.

Respondeu àquela saudade
Que todos têm no peito,
O sentido perdido de pertencimento
A buscas esquecidas.

A esposa feliz agora sabia
Que tinha casado mal,
O amante alegre se tornava
Cansado de amar ainda.

A moça e o rapaz se sentiam felizes
Por apenas sonharem,
Os corações solitários que estavam tristes
Sentiam-se em algum lugar menos solitários.

Em cada alma despertou a flor
Cujo toque deixa poeira sem terra,
A primeira hora do marido da alma,
A coisa que nos completa,

A sombra que vem para abençoar
Das profundezas beijadas não expressas,
A luminosidade inquieta
Que é melhor que descanso.

Assim como veio, ele foi.
Sentiram-no, mas apenas metade.
Então ele se misturou silenciosamente
Com o silêncio e a memória.

O sono deixou novamente suas risadas,
A esperança em transe cessou de durar
E pouco tempo depois
Eles não souberam que ele havia partido.

Ainda assim, quando a tristeza de viver,
Porque a vida não é desejada,
Volta nas horas dos sonhos, dando
Uma sensação de vida esfriando,

De repente, cada um lembra.
Brilha como uma lua que vem
Sobre onde suas brasas de sonho.
A melodia do fiddler louco.

Composição: Fernando Pessoa