Zigo
J'ai prêté la Provence
Aux enfants de Berlin
Mais tu fais quoi toi dans ton quartier
J'aimerais rire un peu mais mon zygomatique
Commissure des lèvres
Est toujours en grève
Manque de pratique
Sur le quai des hirondelles
Avec ma pauvre tenue noire
Le beau Léon et ses bretelles
Mettait bas le désespoir
Le soleil d 'Alger dans le coeur de Berlin
Quel temps fait-il dans ton quartier
Il y a la grand'rue
De l'herbe dans les magasins
Des demi-mots pour oublier
L'écho des trains dans la nuit loin
Toutes ces croix qu'on a plantées
Où viennent s'écraser les oiseaux
On enterre la mémoire
A cinq heures ce soir
Alors on a prêté notre histoire
Aux enfants de Berlin
De quelle couleur il est ton quartier
Un enfant noir dans la nuit noire
Un enfant blanc dans la nuit blanc
Un poisson chat dans l'océan
C'est un requin dans ma baignoire
Alors pour contracter
Mon p'tit zigo mon grand zigo
J'balance Alger dans la Nordique
J'me saoule à flot ô mes étoiles
Puis c'est Berlin dans l'Atlantique
Quand ça balance de bas en haut
Quand j'ai l'piano qui s'fout en l'air
Et j'ai les joues qui tombent à terre
Alors je reprends mon histoire
Et mes pleurs de gamin
Mais il est où mon quartier
J'voulais rire un peu mais mon zygomatique
Commissure des lèvres
Est toujours en grève
Manque de pratique
J'voulais rire plus fort et mon zigo est mort
Pour raison civique
Antiseptique
Géographique
Mathématique
Et civique
Et chimique
Dans la musique
Labomatique
Et mécanique
Et psychotique
Bureaucratique
Technocratique
Et toute la clique
Zigo
La clique des zigotos
Zigo
Eu emprestei a Provence
Para as crianças de Berlim
Mas o que você tá fazendo no seu bairro
Eu queria rir um pouco, mas meu zigomático
Comissura dos lábios
Está sempre em greve
Falta de prática
Na estação das andorinhas
Com meu pobre traje preto
O lindo Léon e suas suspensórios
Dissipavam o desespero
O sol de Argel no coração de Berlim
Que tempo faz no seu bairro
Tem a rua principal
Com grama nas lojas
Meias palavras pra esquecer
O eco dos trens na noite distante
Todas essas cruzes que plantamos
Onde os pássaros vêm se chocar
Enterramos a memória
Às cinco horas desta noite
Então emprestamos nossa história
Para as crianças de Berlim
De que cor é o seu bairro
Uma criança negra na noite escura
Uma criança branca na noite clara
Um peixe-gato no oceano
É um tubarão na minha banheira
Então, pra contrair
Meu pequeno zigo, meu grande zigo
Eu jogo Argel na Nórdica
Eu me embriago em meio às estrelas
Depois é Berlim no Atlântico
Quando balança de baixo pra cima
Quando meu piano tá se quebrando
E minhas bochechas caem no chão
Então eu retomo minha história
E minhas lágrimas de criança
Mas onde está meu bairro
Eu queria rir um pouco, mas meu zigomático
Comissura dos lábios
Está sempre em greve
Falta de prática
Eu queria rir mais alto e meu zigo morreu
Por razão cívica
Antisséptica
Geográfica
Matemática
E cívica
E química
Na música
Labomática
E mecânica
E psicótica
Burocrática
Tecnocrática
E toda a turma
Zigo
A turma dos zigotos