Raízes Avessas
Thiago Moskito
Me olhei no espelho, mas quem é que tá lá?
Tanta máscara no rosto, nem sei quem vai falar
Tantos sim pro mundo, eu me calei no processo
Quem era eu mesmo? Eu já não tinha endereço
Me entreguei de bandeja, deixei de pedir troco
Vendi minha alma em essência em um sopro
Na ilusão do tá tudo bem, tá tranquilo
Não me reconhecia, me encontrei perdido
A vida cobra caro, e paguei com identidade
Fui abrindo mão da minha própria verdade
Pra agradar plateia que nem tava assistindo
No palco da vida, eu mesmo fui sumindo
Mas agora eu vejo, eu me refaço
Pego de volta o que o tempo me roubou e desfaço
Eu sou raiz, que renasce da fresta no chão
Tô me reconhecendo, sou minha revolução
Cê acha que eu sumi? Tô voltando mais forte
Que nem fênix, ressurgindo, dessa vez com suporte
Agora sou eu, sem moldura, sem moldagem
Desenterrei meu eu, fiz a própria sabotagem
Chega de moldar minha alma pra caber na estante
Me reinvento, me liberto, num flow mais constante
Eu sou meu caminho, sou estrada e sou trilha
No mapa da minha alma, achei a minha ilha
Fiz dos tropeços, um trampolim pra voar
Se me perdi de mim, hoje eu vou me encontrar
Não sou mais refém das correntes que eu fiz
Sou dono da minha história, voltei a ser raiz
Mas agora eu vejo, eu me refaço
Pego de volta o que o tempo me roubou e desfaço
Eu sou raiz, que renasce da fresta no chão
Tô me reconhecendo, sou minha revolução
Na bagunça do mundo, eu sou ordem no caos
Arrebentando as algemas, me sinto mais real
Não sou mais sombra, sou luz brilhando no escuro
De volta pra mim, no meu futuro eu, juro!



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